Venus Williams nunca tentou influenciar decisões de Serena Williams

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O regresso inesperado das irmãs Williams ao relvado sagrado de Wimbledon volta a colocar o mundo do ténis em alvoroço. Serena e Venus Williams, detentoras de 14 títulos de Grand Slam em pares, receberam wild cards para disputar novamente juntas a prova de duplas, depois de quase dois anos sem actuarem lado a lado – a última vez foi no US Open de 2022, onde a sua caminhada terminou surpreendentemente logo na primeira ronda.

A lenda do ténis mundial, Serena Williams, anunciou o seu regresso à competição antes da temporada de relva, após ter dado por terminada a carreira individual no US Open de 2022, onde foi eliminada por Ajla Tomljanovic na terceira ronda. Desde então, Serena voltou a competir no Queen’s Club Championships, fazendo dupla com Victoria Mboko, com quem venceu o primeiro encontro, mas viu-se forçada a desistir nos oitavos-de-final devido a uma lesão da parceira. Já em Berlim, fez dupla com Karolina Muchova, mas não foi além da ronda inaugural. Agora, no All England Club, as irmãs Williams vão defrontar Solana Sierra e Camila Osorio na primeira ronda de pares, trazendo de volta a aura e a expectativa em torno de uma das duplas mais icónicas da história do ténis feminino.

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Esta notícia assume particular relevância porque marca não só o regresso de Serena à competição de alto nível, como também reacende o debate sobre a longevidade e o impacto das irmãs Williams no ténis mundial. Apesar de já não estarem no auge da carreira, ambas continuam a inspirar gerações e a desafiar os limites do que se considera possível na modalidade. Além disso, a participação de Serena e Venus em Wimbledon volta a colocar o foco na capacidade das atletas de se reinventarem e de manterem a competitividade, mesmo após afastamentos prolongados e sucessivos desafios físicos.

Em entrevista à revista Grazia, Venus Williams fez questão de sublinhar que sempre respeitou a autonomia da irmã mais nova nas suas decisões desportivas: “Sempre deixei que ela tomasse as suas próprias decisões. Mesmo quando parou de jogar pela primeira vez, continuava a ser a melhor do mundo. E ela ainda tem potencial e capacidade para competir ao mais alto nível se realmente quiser. Estou apenas aqui para a apoiar, observar o que acontece e ser a sua maior fã”, afirmou Venus, reforçando o papel de apoio incondicional que sempre desempenhou na vida e carreira de Serena. Estas declarações foram feitas no contexto do anúncio do regresso de Serena, sublinhando a relação de respeito e admiração mútua entre as irmãs.

No plano individual, Serena Williams vai defrontar Maya Joint na primeira ronda do quadro de singulares de Wimbledon, onde não vence um título desde 2016. Se ambas cumprirem os seus compromissos iniciais, Serena poderá encontrar-se com a campeã em título, Iga Swiatek, na terceira ronda – um confronto inédito entre a polaca, que no ano passado arrasou Amanda Anisimova na final, e a norte-americana, detentora de 23 Grand Slams. Serena não conquista um título de singulares desde o ASB Classic de 2020, onde bateu Jessica Pegula, e o último troféu de duplas remonta precisamente à edição de 2016 de Wimbledon, ao lado de Venus.

Por sua vez, Venus Williams, cinco vezes campeã de singulares em Wimbledon, não recebeu wild card para o quadro principal de singulares este ano. Aos 46 anos, a veterana regressou à competição após uma paragem devido a problemas físicos, mas tem tido dificuldades em manter a regularidade e os resultados. Na última participação em singulares, foi eliminada por Irina-Camelia Begu na ronda inaugural do Bad Homburg Open. Em pares, fez dupla com Alexandra Eala, mas foi afastada por Olivia Nicholls e Tereza Mihalikova.

Durante a mesma entrevista, quando questionada sobre a eventualidade de pendurar a raquete, Venus Williams foi taxativa: “Agora penso menos em ambição e mais em ter um objectivo, um sonho, trabalhar arduamente e ultrapassar todas as dificuldades e fracassos que surgem, até alcançar o objectivo.” Venus deixou ainda uma reflexão sobre o papel do fracasso no sucesso dos maiores atletas: “O Roger Federer ganhou cerca de 53% dos pontos que disputou na carreira. Estamos a falar de alguém que conquistou mais de vinte Grand Slams e mal venceu metade dos pontos que jogou. O fracasso é uma parte enorme do sucesso. Tudo depende da forma como o interpretamos. Há tenistas com muito talento cujo passado acaba por ser o seu futuro e também a sua prisão”.

O regresso das irmãs Williams à relva de Wimbledon promete ser um dos pontos altos da edição deste ano, tanto pelo simbolismo como pela possibilidade de voltarmos a assistir ao ténis electrizante que as tornou lendas vivas. O mundo do ténis estará de olhos postos nas norte-americanas, ansioso por perceber até onde conseguirá ir esta parceria histórica e se ainda será possível assistir a mais um capítulo glorioso na saga Williams. Independentemente do resultado, a sua presença volta a elevar a fasquia da competição e a inspirar todos aqueles que acreditam que o impossível só existe até alguém o desafiar.

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