Novak Djokovic regressou aos courts de relva com uma exibição electrizante, deixando os adeptos em Londres em suspenso ao vencer o seu único encontro de preparação antes de Wimbledon, numa batalha intensa frente ao norte-americano Tommy Paul, classificado como número 24 mundial. Sob um calor sufocante, com temperaturas a atingirem impressionantes 36 graus Celsius, o sérvio mostrou porque continua a ser um dos maiores nomes do ténis mundial, triunfando por 6-3, 6-7(6) e 7-5 no prestigiado Giorgio Armani Tennis Classic, no Hurlingham Club.
Depois de quase um mês afastado da competição, desde a dramática derrota em cinco sets frente ao jovem João Fonseca em Roland Garros, Djokovic voltou a dar sinais de vitalidade e ambição. O campeão de 24 títulos do Grand Slam não competia desde 29 de Maio, o que aumentou ainda mais a expectativa sobre o seu estado físico, especialmente após a sua ausência de última hora do encontro agendado para quarta-feira frente a Karen Khachanov – situação que levantou dúvidas e rumores sobre eventuais problemas físicos. No entanto, a confirmação da sua presença no alinhamento de sexta-feira dissipou rapidamente qualquer especulação.

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A escolha do Hurlingham Club para este regresso não foi inocente. Como salientou Jannik Sinner, após o seu próprio encontro no local, “a relva aqui é mais rápida do que em Wimbledon”, o que exige uma execução perfeita ao serviço e agressividade no primeiro golpe — condições ideais para Djokovic afinar a sua estratégia antes do All England Club. O próprio sérvio já havia utilizado este torneio de exibição como preparação em 2023, demonstrando que prefere testar o seu jogo em ambientes exigentes mas controlados.
O encontro foi de altíssimo nível técnico. Paul manteve o serviço com autoridade durante grande parte do encontro, mas Djokovic aproveitou a única oportunidade de quebra de serviço, no sexto jogo do primeiro set, após uma troca de fundo do court absolutamente deslumbrante, considerada o ponto do dia. O sérvio, com 37 anos, demonstrou nervos de aço nos momentos de maior pressão, salvando os cinco pontos de break que enfrentou — dois deles com segundos serviços poderosos, a mais de 180 km/h, e outro graças a um lob defensivo brilhante.
No segundo set, Paul elevou o nível e salvou um ponto de encontro no tie-break, obrigando Djokovic a manter a concentração máxima. A decisão foi feita num match tie-break de sete pontos, típico deste tipo de exibições, onde o sérvio voltou a ser mais forte, fechando o duelo ao quarto ponto de encontro com um winner de direita, precedido por um serviço demolidor.
Este triunfo, mesmo sendo num contexto de exibição, não deixa de ser um indicador relevante da forma de Djokovic, especialmente considerando o calor extremo e a qualidade do adversário. O serviço do sérvio esteve irrepreensível, uma arma que será fundamental em Wimbledon, onde vai tentar conquistar o oitavo título e, mais importante, alcançar o histórico 25.º Grand Slam, tornando-se o mais velho campeão de singulares em torneios maiores.
A primeira ronda em Wimbledon reserva-lhe um confronto teoricamente acessível frente ao chinês Wu Yibing, actualmente na posição 99 do ranking. No entanto, Djokovic está no mesmo lado do quadro que Jannik Sinner, o número 1 mundial e campeão em título, prometendo duelos de altíssimo nível nas fases mais adiantadas do torneio.
Apesar de não ter prestado declarações após o encontro no Hurlingham, Djokovic deverá abordar o seu estado físico e ambições na habitual conferência de imprensa pré-torneio em Wimbledon, onde todos aguardam respostas sobre as suas reais condições. O mundo do ténis estará de olhos postos no regresso do sérvio aos courts do All England Club, numa época em que Jannik Sinner e outros jovens talentos ameaçam o domínio das velhas guardas.
A preparação, mesmo limitada a um só encontro na relva, parece ter sido suficiente para Djokovic testar o pulso à sua forma e afinar detalhes cruciais do seu jogo. A questão que se coloca agora é clara: conseguirá o sérvio resistir à pressão, à juventude dos rivais e ao desgaste físico para fazer história em Londres? A resposta será dada nas próximas semanas, num Wimbledon que promete ser inesquecível.
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