Um autêntico golpe de teatro marcou a reviravolta épica da selecção brasileira, que carimbou passagem para os oitavos-de-final do Mundial após derrotar o Japão por 2-1, em Houston. Carlo Ancelotti, o experiente técnico italiano ao leme da “canarinha”, não poupou elogios à resposta da sua equipa, que soube recuperar de uma desvantagem e demonstrar sangue-frio nos momentos decisivos, selando a qualificação com golos de Casemiro e Gabriel Martinelli.
O jogo, realizado esta segunda-feira (29), ficou marcado por um início complicado para o Brasil, que viu o Japão adiantar-se no marcador ainda na primeira parte. A selecção nipónica, extremamente bem organizada e compacta defensivamente, colocou sérias dificuldades à construção de jogo brasileira, obrigando Ancelotti a mexer no xadrez táctico ao intervalo. No entanto, a resposta foi inequívoca: logo aos nove minutos do segundo tempo, Casemiro restabeleceu a igualdade de cabeça, após um cruzamento milimétrico de Gabriel Magalhães. Já em tempo de compensação, Gabriel Martinelli coroou a reviravolta com um remate colocado, fazendo explodir os adeptos brasileiros presentes no estádio.

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A importância deste triunfo vai muito além do simples apuramento. Num grupo onde o favoritismo brasileiro foi posto à prova, a equipa mostrou maturidade competitiva, capacidade de adaptação e, acima de tudo, resiliência mental. O próprio Ancelotti reconheceu, na conferência de imprensa após o encontro, que o duelo contra os japoneses representou o teste mais exigente até ao momento: “Acho que, até agora, este foi o nosso jogo mais completo. Tivemos problemas na primeira parte para criar ocasiões — afinal, o Japão estava muito recuado. Procurámos soluções, com cruzamentos e mais presença na área na segunda parte. Acho que houve melhoria. Se tivemos problemas hoje, procurámos soluções”, sublinhou o treinador, mostrando-se satisfeito com a resposta dos seus jogadores.
O seleccionador italiano não escondeu a confiança com que viveu os momentos de maior tensão, elogiando igualmente o adversário: “Sofri menos. Estava confiante. A equipa estava a jogar bem. Depois do golo, tivemos dificuldades por causa da força do adversário. É uma equipa respeitável, muito bem organizada e perigosa. Os jogadores são fisicamente fortes. A equipa jogou. Não foi uma equipa perdida como na primeira parte contra Marrocos”, referiu Ancelotti, que assim somou a décima vitória ao comando da selecção brasileira.
Com a passagem garantida aos oitavos, o Brasil irá agora defrontar a Costa do Marfim ou a Noruega, adversário que será conhecido esta terça-feira (30). O próximo embate da “canarinha” está agendado para domingo (5), em Nova Jérsia, onde os olhos de milhões estarão novamente postos sobre a equipa de Ancelotti. O treinador fez questão de deixar claro o estado de espírito do grupo, frisando a determinação para continuar na senda do sucesso: “Estamos fortes, felizes, e sabemos que estamos no caminho certo. Temos de continuar a melhorar, continuar a trabalhar, e o descanso também é muito, muito importante. Agora resta esperar para saber quem será o próximo adversário (…)”, concluiu.
A análise ao desempenho brasileiro deixa antever uma equipa moralizada, mas ciente de que as dificuldades aumentarão a cada ronda. O sector defensivo mostrou-se mais sólido, e a capacidade de encontrar soluções no ataque, mesmo perante adversários fechados, revela um plantel cada vez mais confiante e versátil. A expectativa dos adeptos é enorme, e a pressão para atingir as fases finais está ao rubro, mas este Brasil de Ancelotti tem sabido responder à altura, alimentando o sonho de regressar aos grandes títulos. O próximo desafio será decisivo para perceber até onde poderá ir esta selecção rejuvenescida e ambiciosa.
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