Gabriel Martinelli arrancou um golo absolutamente decisivo nos descontos e selou a dramática vitória do Brasil por 2-1 diante do Japão, garantindo assim a passagem aos oitavos-de-final do Mundial 2026. A ausência de Neymar no relvado, apesar de estar disponível, foi um dos temas mais quentes da noite e deixou os adeptos brasileiros e não só em alvoroço.
Na segunda-feira, no MetLife Stadium, em Nova Jérsia, o Brasil esteve a um passo do prolongamento até Martinelli, lançado já na segunda parte, aparecer no último fôlego do jogo para acabar com todas as dúvidas, carimbando o bilhete para a próxima fase do torneio. Antes disso, Kaishu Sano tinha gelado os “canarinhos” ao inaugurar o marcador para o Japão, aos 29 minutos, após um erro comprometedor no meio-campo brasileiro. O equilíbrio reinou até ao regresso dos balneários, mas Casemiro, aos 56 minutos, restabeleceu a igualdade com um cabeceamento certeiro, na sequência de um cruzamento de Gabriel Magalhães, relançando a esperança e a pressão sobre os nipónicos.

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A vitória coloca o Brasil nos oitavos-de-final, onde terá de medir forças com a Costa do Marfim ou a Noruega, já no próximo domingo. Com esta vitória, o Brasil mantém vivo o sonho de conquistar o hexacampeonato, enquanto o Japão volta a cair nos momentos decisivos, acumulando a quinta eliminação consecutiva nos oitavos. Este resultado reforça o peso histórico da selecção brasileira, que soma agora 12 triunfos em 15 duelos frente ao Japão, e contribui para o prestígio da equipa orientada por Carlo Ancelotti nesta edição do Mundial.
O destaque, no entanto, foi a decisão surpreendente de Ancelotti de não utilizar Neymar, mesmo com o craque a ter recuperado da lesão na perna direita que o afastou dos dois primeiros jogos da fase de grupos. Neymar tinha regressado na última jornada frente à Escócia, actuando apenas 14 minutos, reacendendo expectativas para este encontro. No final, o seleccionador italiano explicou: “Estive seriamente a ponderar colocá-lo em campo. No final, não precisámos dele”, afirmou Ancelotti, deixando claro que a opção técnica foi ditada pela leitura do jogo e pelo rendimento do plantel. Antes, já tinha justificado a aposta em Martinelli: “Queríamos, acima de tudo, refrescar o campo porque o Martinelli tem muita intensidade enquanto jogador. Quando entra, está sempre no máximo”, frisou o treinador, através de tradutor, logo após a vitória.
No plano individual, Casemiro foi um dos nomes em destaque ao apontar o golo do empate, mas saiu lesionado no início dos descontos da segunda parte, lançando alguma preocupação no seio da equipa para os próximos jogos. Vinicius Júnior, melhor marcador brasileiro nesta edição do torneio, esteve perto de fazer o 2-1, mas viu o seu remate desviado pelo guarda-redes japonês Suzuki para o poste, numa jogada que levantou os adeptos das cadeiras. O Japão, fiel ao seu ADN competitivo, ainda tentou surpreender com transições rápidas, mas faltou-lhe frieza nos momentos-chave.
A ausência de Neymar reabre o debate sobre a dependência do Brasil em relação ao seu número 10, mas a vitória sem o craque parece reforçar a confiança do grupo e a crença no colectivo. Ancelotti sublinhou essa ideia no rescaldo: “Nunca podemos ficar satisfeitos com o que estamos a fazer. Estamos a trabalhar bem, estamos a render, mas queremos jogar ainda melhor. Queremos competir ao mais alto nível”, garantiu o técnico italiano, ciente de que as verdadeiras decisões estão ainda para vir.
O próximo desafio, nos oitavos-de-final, será um teste à solidez defensiva e à capacidade de adaptação táctica do Brasil, sobretudo se Casemiro não recuperar a tempo. A gestão de Neymar continuará a ser central, não só pela sua condição física, mas pelo impacto psicológico que representa para adversários e companheiros de equipa. Se Ancelotti manter a aposta no colectivo, Martinelli e os restantes jogadores terão de continuar a responder à altura e a calar eventuais críticas sobre as escolhas técnicas.
A vitória suada frente ao Japão reforça o estatuto do Brasil como favorito, mas também revela fragilidades que precisam de ser corrigidas se quiserem erguer novamente o troféu. Com as grandes selecções ainda em prova e o caminho para a final cada vez mais exigente, o Brasil terá de mostrar mais do que talento individual — terá de provar que é, de facto, uma verdadeira equipa campeã.
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