Alan Shearer critica exibição descuidada da Inglaterra após golo de Cipenga

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O alarmante registo histórico da selecção inglesa voltou a assombrar os adeptos: Inglaterra nunca conseguiu vencer um único jogo de Mundial quando foi para o intervalo em desvantagem, e agora volta a tropeçar perante a República Democrática do Congo, que abriu o marcador logo aos sete minutos. O ambiente ficou ainda mais tenso depois de Alan Shearer, lendário avançado inglês, ter classificado a exibição dos Três Leões como “muito descuidada” e sem qualquer chama na fase inicial do encontro.

No Estádio onde tudo se decide nos oitavos-de-final do Campeonato do Mundo, Brian Cipenga silenciou os adeptos ingleses ao bater Jordan Pickford com um remate rasteiro ao poste mais próximo. O guarda-redes do Everton ficou claramente mal na fotografia, incapaz de travar um lance que, para muitos, seria facilmente defensável. Inglaterra nunca se encontrou nos primeiros 25 minutos – passes erráticos, perdas de bola no meio-campo e uma vulnerabilidade defensiva gritante. O Congo, galvanizado pelo golo madrugador, esteve perto de dilatar a vantagem, com Yoane Wissa a acertar no poste numa ocasião flagrante, deixando os ingleses à beira do precipício.

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Esta derrota parcial ao intervalo não é apenas um dado estatístico; é um verdadeiro pesadelo para uma selecção que transporta enormes expectativas. Os Três Leões nunca conseguiram inverter uma desvantagem nestas circunstâncias em fases finais de mundiais, acumulando sete derrotas e dois empates. O peso da História começa a pairar sobre Gareth Southgate, numa altura em que as críticas não param de crescer e a pressão sobre o grupo aumenta de jogo para jogo.

Alan Shearer, em declarações à BBC logo após a primeira parte, não poupou nas palavras: “Do ponto de vista de Inglaterra, foi muito descuidado no início e não ofereceram nada nos primeiros 20-25 minutos. Houve melhorias, pelo menos nas posições mais avançadas, na segunda metade [da primeira parte].” O ex-internacional inglês destacou ainda a falta de intensidade e eficácia no ataque, sublinhando que “a equipa parecia desligada, sem ideias, e com demasiada lentidão na circulação de bola”, apontando culpas tanto ao sector defensivo como ao meio-campo.

Jude Bellingham, um dos poucos a tentar remar contra a maré, teve duas oportunidades de ouro para empatar, mas esbarrou num Lionel Mpasi inspirado, que negou o golo com defesas de altíssimo nível. Harry Kane também foi protagonista de um lance polémico, ao ser derrubado na grande área, mas o árbitro fez vista grossa e ignorou os protestos dos jogadores ingleses. Esta decisão deixou ainda mais revoltada a comitiva britânica, que já sentia a arbitragem a inclinar o campo.

O que se segue para Inglaterra é uma verdadeira prova de fogo. A equipa está obrigada a mudar radicalmente de atitude e a demonstrar em campo a qualidade que, no papel, sobra neste plantel recheado de estrelas. Caso não consiga dar a volta ao resultado, a eliminação precoce será inevitável e marcará mais um capítulo negro na já longa história de desilusões inglesas em fases decisivas. Para o Congo, o sonho de continuar vivo no Mundial ganha força, com a confiança em alta e a ilusão de surpreender mais um colosso europeu.

O próximo capítulo deste drama futebolístico será escrito na segunda parte, onde Inglaterra terá de contrariar o destino e, pela primeira vez, virar um resultado adverso ao intervalo num Campeonato do Mundo. Os adeptos exigem resposta e Gareth Southgate terá de provar de uma vez por todas que consegue quebrar maldições e liderar a selecção até à próxima fase. Se falhar, dificilmente escapará a uma onda de contestação sem precedentes.

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