Cipenga adianta RD Congo frente à Inglaterra de Tuchel em Atlanta

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Incrível reviravolta em Atlanta: a selecção da República Democrática do Congo está a surpreender o mundo do futebol ao adiantar-se no marcador frente à poderosa Inglaterra, graças a um golo sensacional de Brian Cipenga logo aos 7 minutos. O improvável cenário está a incendiar as bancadas do Mercedes-Benz Stadium, com os adeptos congoleses em delírio e os ingleses incrédulos perante a possibilidade de uma eliminação prematura neste Campeonato do Mundo.

O encontro, decisivo para a passagem aos oitavos-de-final, colocou frente a frente uma Inglaterra recheada de estrelas, orientada por Thomas Tuchel, e uma RD Congo que tem sido uma das grandes sensações da prova. Apesar do favoritismo esmagador dos ingleses, a equipa africana não se deixou intimidar e entrou determinada, explorando a vulnerabilidade defensiva adversária e demonstrando uma frieza implacável nos momentos-chave. A jogada do golo foi um exemplo perfeito: cruzamento milimétrico ao segundo poste, Cipenga surge solto e bate Jordan Pickford com um remate rasteiro, celebrando depois com uma acrobacia que fez explodir os adeptos nas bancadas.

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Do lado inglês, o nervosismo era evidente, agravado por um historial negro: os “Three Lions” não vencem um jogo de Campeonato do Mundo em que começam a perder desde a final de 1966. Apesar de várias oportunidades criadas, especialmente após uma pausa para hidratação que pareceu acordar a equipa, a eficácia continuou ausente. Jude Bellingham e Harry Kane estiveram perto de marcar, com o capitão inglês a ver o guarda-redes Lionel Mpasi-Nzau negar-lhe o golo em duas ocasiões cruciais. Marcus Rashford também ameaçou, mas Aaron Wan-Bissaka, curiosamente defesa do Congo com passado na Premier League, protagonizou um corte monumental em cima da linha de golo.

A polémica instalou-se pouco antes do intervalo, quando Harry Kane caiu na área após contacto do guarda-redes congolês. O avançado reclamou de imediato grande penalidade, mas o árbitro assinalou simulação e o VAR, de forma controversa, manteve a decisão inicial. “Foi um penálti claro, não percebo como é possível não ser assinalado”, afirmou Kane no final da primeira parte, visivelmente frustrado. Thomas Tuchel, por sua vez, reconheceu que a sua equipa acusou o golo madrugador: “Entrámos desconcentrados e pagámos caro. Agora só nos resta ir para cima deles e mostrar do que somos feitos”, declarou o treinador alemão ao intervalo.

No campo oposto, o seleccionador congolês realçou a coragem dos seus jogadores. “Viemos sem medo, sabemos que podemos surpreender. O segredo? Organização, disciplina e acreditar no nosso valor”, disse após o golo inaugural. A confiança está em alta na RD Congo, que já deixou Portugal em apuros na fase de grupos e eliminou o Uzbequistão com exibições de raça e intensidade física. Jogadores como Wan-Bissaka, Tuanzebe, Mbemba e Masuaku, todos com experiência de Premier League, têm sido fundamentais na solidez defensiva, enquanto Wissa e Cipenga oferecem perigo constante nas transições rápidas.

O ambiente nas bancadas é electrizante, com os adeptos ingleses a invadir Atlanta e a dominar os arredores do estádio, mas a surpresa congolêsa está a gelar uma multidão habituada a cantar “Sweet Caroline” em clima de festa. A pressão sobre Thomas Tuchel aumenta: Bukayo Saka, Eze, Watkins e Rogers estão prontos no banco e tudo indica que em breve serão chamados para tentar inverter o rumo dos acontecimentos. A Inglaterra, que deslumbrou frente à Croácia mas vacilou frente ao Gana e Panamá, mostra agora sintomas preocupantes de falta de eficácia e de fragilidade defensiva.

Para a RD Congo, um triunfo significaria uma das maiores façanhas da sua história e abriria as portas a um duelo de sonho com o México na próxima fase, em pleno Estádio Azteca. Para a Inglaterra, a eliminação seria um autêntico desastre nacional, obrigando a uma reflexão profunda sobre a estratégia e o futuro do plantel. Resta saber se os “Three Lions” vão conseguir quebrar a maldição e dar a volta ao texto, ou se a epopeia congolêsa continuará a fazer história neste Mundial repleto de surpresas. Uma coisa é certa: Atlanta está a viver uma noite de futebol absolutamente imprevisível, onde tudo pode acontecer até ao último segundo.

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