Jannik Sinner segue em prova no torneio de Wimbledon, mas as dúvidas sobre a sua supremacia no relvado londrino aumentam a cada entrada em campo. O número um mundial, que defendia o estatuto de campeão e era apontado como um dos favoritos indiscutíveis à conquista, tem apresentado exibições surpreendentemente titubeantes e muito aquém do padrão que habituou os adeptos e especialistas de ténis.
Depois de um susto notório na primeira ronda, onde precisou de cinco sets para eliminar Miomir Kecmanovic e esteve a um passo da eliminação precoce, Sinner voltou a mostrar sinais de fragilidade frente ao português Nuno Borges. Apesar de o resultado ter sido mais robusto, o italiano revelou debilidades preocupantes, sobretudo na sua maior arma: o lado direito. Foi quebrado várias vezes e precisou de dois tie-breaks para ultrapassar o número 51 do mundo, garantindo assim um duelo na terceira ronda com o norte-americano Jenson Brooksby.

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Esta queda de rendimento é particularmente relevante tendo em conta a história recente de Sinner em Wimbledon. No ano passado, durante a sua caminhada triunfal até ao título, não perdeu um único set até à quarta ronda, impressionando pelo rigor e consistência. Agora, a estatística é gritante: nos dois primeiros encontros de 2024, Sinner já somou 43 erros não forçados de direita, quando em igual período do torneio anterior não ultrapassara os 14. Esta diferença abismal está a abrir portas a adversários de ranking inferior, que outrora pareciam incapazes de ameaçar verdadeiramente o domínio do italiano.
O contexto não podia ser mais delicado para Sinner. Se pretende juntar-se ao restrito grupo de tenistas que somaram dois títulos consecutivos em Wimbledon — feito apenas alcançado por nove homens na história — terá, obrigatoriamente, de corrigir a sua maior falha. O seu serviço potente tem mascarado as lacunas na direita, mas essa estratégia dificilmente será suficiente nos embates decisivos, especialmente se defrontar nomes como Novak Djokovic nas meias-finais. Os rivais do top mundial não perdoarão tamanha generosidade em pontos gratuitos, e qualquer hesitação poderá custar caro quando se trata dos grandes palcos do ténis.
As críticas e análises não tardaram. John McEnroe, lenda do ténis, apontou recentemente que as dificuldades físicas aparentes de Sinner são, na sua opinião, “sobretudo mentais”. O próprio Sinner, após o duelo com Nuno Borges, reconheceu em conferência de imprensa que “há aspetos do meu jogo que precisam de ser ajustados rapidamente. Não estou satisfeito com a quantidade de erros na minha direita e sei que tenho de melhorar já para o próximo jogo”. Estas palavras refletem a pressão que recai sobre o campeão em título, que não esconde a insatisfação com a sua performance.
Em termos de análise, o cenário para Sinner é de tudo ou nada. Caso consiga ultrapassar esta fase turbulenta e reencontrar o seu melhor ténis, não só reforçará o seu estatuto de estrela da modalidade, como poderá escrever mais uma página dourada na história de Wimbledon. No entanto, se persistir nos erros, arrisca-se a ser surpreendido e a ceder o trono mais cedo do que o previsto. A próxima ronda será um verdadeiro teste ao seu carácter competitivo e capacidade de adaptação, já que Brooksby se apresenta motivado e sem nada a perder.
À medida que o torneio avança, os olhos estão postos em Sinner: será capaz de superar a maior crise de confiança da sua carreira recente ou ficará pelo caminho, traído precisamente pela arma que o levou ao topo? Uma coisa é certa: a resposta vai agitar não só Wimbledon, mas toda a hierarquia do ténis mundial.
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