UEFA recua na ‘regra prestianni’ após polémica no Mundial 2026

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Uma reviravolta inesperada abalou o mundo do futebol europeu: a UEFA recusou oficialmente a polémica ‘Regra Prestianni’, decisão que promete incendiar debates e dividir opiniões entre adeptos, jogadores e especialistas. Depois de o regulamento ter sido aplicado com consequências dramáticas durante o Mundial de 2026, a organização máxima do futebol europeu optou por não seguir o exemplo da FIFA, rejeitando a expulsão automática para jogadores que tapem a boca enquanto confrontam adversários.

A questão ganhou destaque após a International Football Association Board (IFAB) ter aprovado, em Abril, uma medida inédita para combater linguagem discriminatória em campo. Na prática, qualquer jogador apanhado a cobrir a boca durante uma discussão hostil seria imediatamente expulso, uma cena que se repetiu já por duas vezes no Mundial de 2026. A FIFA justificou a nova regra como forma de evitar que insultos racistas, homofóbicos ou outro tipo de linguagem ofensiva passem despercebidos às câmaras e aos árbitros, protegendo assim a integridade das competições. No entanto, a UEFA não se deixou convencer e decidiu que, nas suas competições – incluindo Liga dos Campeões, Liga Europa, Conference League, Europeu e Liga das Nações –, o gesto será punido com cartão amarelo, considerado comportamento anti-desportivo, mas não motivo para expulsão imediata.

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A UEFA justificou esta decisão numa comunicação oficial, sublinhando: “Esta abordagem não prejudica investigações disciplinares ou processos que possam decorrer em consequência, ou em ligação, com tal comportamento.” Ou seja, o organismo europeu reserva-se o direito de investigar e punir de forma mais severa se houver indícios claros de linguagem discriminatória, mas recusa-se a aplicar uma sanção automática sempre que um jogador tape a boca em contexto de confronto.

O tema tornou-se particularmente sensível após o caso explosivo que deu origem à regra: um confronto entre Gianluca Prestianni, extremo do Benfica, e Vinicius Junior, estrela do Real Madrid, durante um jogo europeu. Vinicius acusou Prestianni de insultos racistas, enquanto o jogador do Benfica alegou ter proferido um insulto homofóbico. Como ambos taparam a boca durante a troca acalorada, não existiram provas conclusivas. O escândalo levou a FIFA a agir com mão de ferro, mas o teste no Mundial não convenceu a UEFA da sua eficácia.

No Mundial 2026, a aplicação rígida da ‘Regra Prestianni’ já resultou em duas expulsões sonantes. Miguel Almirón, avançado do Paraguai, foi o primeiro a ver vermelho após um desentendimento com Mert Müldür, na vitória do Paraguai sobre a Turquia por 1-0. Pouco depois, Piero Hincapié, defesa do Equador, foi também expulso por tapar a boca enquanto discutia com Santiago Giménez, durante a derrota por 2-0 frente ao México. Ambos cumpriram um jogo de suspensão, mas a FIFA deixou claro que o Comité Disciplinar pode agravar os castigos consoante a gravidade dos factos.

Contudo, a polémica intensificou-se quando Jude Bellingham, médio inglês, foi apanhado pelas câmaras a tapar a boca enquanto dialogava com Jordan Ayew, avançado do Gana, num jogo sem golos. Ao contrário dos casos anteriores, Bellingham não foi expulso, gerando confusão e acusações de critérios duplos. Pierluigi Collina, chefe dos árbitros da FIFA, explicou antes do torneio: “Os jogadores podem continuar a tapar a boca com o braço ou a camisola para conversar com amigos. É normal conversar antes, durante ou depois do jogo. Se a conversa for amigável, não há qualquer problema. Quando é um confronto hostil, tapar a boca pode significar que se está a fazer algo muito errado e a sanção é o cartão vermelho.”

Esta margem de interpretação dos árbitros, aliada ao risco de presumir a culpa de quem tapa a boca em situações tensas, levou a UEFA a recuar. Os dirigentes europeus consideram que o gesto, por si só, não pode ser prova suficiente para expulsão, sob pena de se cometerem injustiças graves e se distorcer o espírito do jogo. Além disso, muitos apontam para a possibilidade de decisões polémicas virem a marcar de forma irreversível jogos decisivos, algo que se quer evitar nas provas de topo da UEFA.

A partir de agora, espera-se que os árbitros das competições europeias adotem uma postura mais ponderada, aplicando o cartão amarelo como aviso, mas deixando investigações mais profundas para os órgãos disciplinares. O debate sobre a melhor forma de combater o racismo e os insultos em campo está longe de terminar, mas esta decisão da UEFA poderá provocar ondas de choque na relação com a FIFA e lançar novos desafios na harmonização das regras internacionais. O futebol europeu entrou assim numa nova fase, em que o equilíbrio entre justiça, disciplina e espectáculo continua a ser o maior desafio para quem manda no desporto-rei.

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