Alarmes soaram nos bastidores da selecção inglesa, que decidiu adiar a chegada à Cidade do México em resposta ao receio de espionagem antes do decisivo duelo dos oitavos-de-final do Mundial frente ao México, este fim-de-semana, no Estádio Azteca. A decisão, carregada de polémica, reacende memórias do infame “Spygate” e promete agitar as águas do futebol mundial, com as suspeitas de olhares indiscretos sobre as tácticas dos ingleses a marcarem o ambiente pré-jogo.
Os comandados de Thomas Tuchel enfrentam os anfitriões mexicanos no próximo domingo, numa partida que tem início marcado para a 1h da manhã de segunda-feira (hora de Lisboa), com o objectivo de garantir um lugar entre os oito melhores da competição. O desafio é particularmente exigente: o México, co-anfitrião do torneio, ainda não sofreu qualquer golo, beneficiando do factor casa e da altitude extrema da capital mexicana, situada a 2.240 metros acima do nível do mar. Originalmente, a selecção inglesa tinha planeado chegar à Cidade do México na sexta-feira, com estadia programada de duas noites antes do embate, numa tentativa de atenuar possíveis efeitos da altitude nos jogadores.

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No entanto, relatos vindos de vários órgãos internacionais indicam que a federação inglesa temia que as sessões de treino cruciais pudessem ser alvo de espiões, ansiosos por descobrir esquemas tácticos e opções de onze inicial. Face a estes receios, os treinos decisivos mantêm-se agora em Kansas City, a base inglesa durante o torneio, onde os campos foram vedados e a segurança reforçada pelas autoridades locais. Esta mudança de planos visa salvaguardar qualquer informação estratégica numa fase em que cada detalhe pode ser determinante para o desfecho da eliminatória.
O espectro da espionagem no futebol voltou à ribalta recentemente, depois de o Southampton ter sido expulso da final do play-off de acesso à Premier League na época 2025/26, ao admitir ter recorrido a práticas de espionagem nos treinos do Middlesbrough. Não menos mediático foi o caso do Leeds United, multado em 200 mil libras em 2019 por observar adversários às ordens de Marcelo Bielsa. Este tipo de incidentes lançou um clima de desconfiança generalizada entre as selecções presentes no Mundial, levando várias equipas a redobrar as precauções.
Mas os receios ingleses não se limitam ao campo de treino. O ambiente em redor do hotel da equipa também é motivo de preocupação, numa tentativa de evitar uma repetição do cenário vivido pela selecção do Equador. Na passada semana, antes do encontro frente ao México nos 16-avos-de-final, os equatorianos viram-se atormentados pelo barulho constante dos adeptos mexicanos, que, durante toda a madrugada, recorreram a buzinas, motas e altifalantes para dificultar o descanso dos jogadores. O episódio levou a Federação Equatoriana de Futebol (FEF) a apresentar uma queixa formal à FIFA, afirmando: “Tal conduta está em flagrante contraste com os princípios de fair play, equidade e união que um Mundial deve representar”, pode ler-se no comunicado. A FEF apelou ainda “às autoridades competentes para que prestem maior atenção a estes acontecimentos e adoptem as medidas necessárias para salvaguardar a segurança dos nossos jogadores, equipa técnica e adeptos”.
Confrontado com estes exemplos, o staff inglês reforçou não só a vigilância em redor do local de treinos, como também tomou medidas extraordinárias no que diz respeito à privacidade e segurança na unidade hoteleira da capital mexicana. A federação está determinada a evitar qualquer tipo de perturbação externa que possa afectar a preparação do plantel para um dos jogos mais importantes da era recente da selecção.
Com todas estas manobras, o ambiente em torno do Inglaterra-México aquece ainda mais, prometendo um duelo carregado de tensão dentro e fora das quatro linhas. O vencedor segue para os quartos-de-final, num Mundial onde cada detalhe fora do relvado pode ser decisivo para o sucesso. Nos próximos dias, as atenções estarão voltadas para a capacidade das autoridades garantirem condições de igualdade e segurança, e se a Inglaterra, sob pressão e num cenário hostil, conseguirá manter o foco e contrariar o favoritismo mexicano perante um Estádio Azteca em ebulição.
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