Djokovic continua a ser uma ameaça real em Wimbledon, mesmo perante vozes que o davam fora das contas para o título. Aos 39 anos e após uma vitória suada frente a Arthur Rinderknech, o sérvio carimba passagem para os oitavos de final, não só mantendo viva a esperança de um 25.º Grand Slam histórico, como também alimentando as expectativas de igualar Roger Federer com oito títulos no All England Club.
O antigo número um mundial arrancou de forma autoritária, conquistando os dois primeiros sets, mas viu o francês recuperar e ameaçar o equilíbrio do encontro. Ainda assim, Djokovic, que parece desafiar as leis do tempo e da lógica desportiva, assegurou o triunfo e prepara-se agora para defrontar Roman Safiullin na próxima ronda. Em perspetiva está um potencial duelo de titãs nas meias-finais com Jannik Sinner, um dos nomes mais perigosos desta edição. O peso da história joga a favor do sérvio, e Boris Becker, lenda alemã e antigo treinador de Djokovic, garante que não se pode descartar o seu antigo pupilo da luta pelo troféu: “Eu não o excluiria [Djokovic vencer este ano]. Mesmo que tenha perdido meio passo desde os seus melhores anos como atleta, este torneio é todo sobre a mente”, afirmou Becker ao The Telegraph.

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Becker foi perentório ao analisar a exigência mental do torneio londrino: “O ténis em relva testa a tua força mental e o teu temperamento como nenhum outro piso. Em terra batida, se falhas um break point, não precisas de te preocupar muito: haverá outra oportunidade daqui a um minuto. Mas em relva, podes só ter uma hipótese por set”, explicou o germânico. E acrescentou: “Isto separa os homens dos meninos. E o Novak não é apenas um adulto; é o verdadeiro estadista do jogo.” Para Becker, Wimbledon premeia inteligência e astúcia em detrimento da capacidade física pura: “Aos 39 anos, já não será o mais rápido nem o mais forte do quadro. Mas Wimbledon favorece os jogadores mais inteligentes face aos melhores espécimes físicos.”
A discussão em torno do futuro de Djokovic também está ao rubro, com Becker a apostar na longevidade do sérvio até aos Jogos Olímpicos de Los Angeles em 2028. “Quanto ao tempo que ele ainda irá jogar, apostaria nos Jogos Olímpicos de 2028 em LA”, revelou Becker. Contudo, deixou um alerta: “O único problema é que o circuito regular já o começa a aborrecer. Se já ganhaste 24 Majors, qual é a motivação para encaixar mais um Miami Open?” O alemão sublinha que o número reduzido de jogos disputados por Djokovic entre Melbourne e Paris – apenas quatro – é preocupante, mesmo para um campeão do seu calibre. “O perigo é que, como o Novak tem tantos outros interesses, por vezes eles afastam-no um pouco do ténis. Vai mesmo precisar de se disciplinar para chegar a LA ‘28. Mas espero – pelo bem do desporto – que lá chegue”, concluiu Becker.
Com cada presença em court, Djokovic desafia não só adversários, mas também o tempo e o desgaste de uma carreira ímpar. O seu percurso em Wimbledon este ano poderá redefinir o significado de longevidade e excelência no ténis. Se conseguir manter o foco e ultrapassar os próximos obstáculos, o sérvio poderá não só conquistar o 25.º Grand Slam, mas também consolidar o seu estatuto como o maior de sempre. Para já, os olhos continuam postos no court central, onde Novak Djokovic, mais cerebral e experiente do que nunca, volta a provar que nunca é seguro apostar contra ele. O desfecho deste Wimbledon promete emoções fortes e poderá ser um dos capítulos mais marcantes da lenda viva do ténis.
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