Djokovic critica mudanças frequentes nas bolas do circuito ATP

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Novak Djokovic lançou uma verdadeira bomba no circuito de ténis ao denunciar mudanças preocupantes nas bolas utilizadas nos torneios ATP e Grand Slam, apontando directamente o dedo à falta de uniformidade e às consequências físicas para os jogadores. O sérvio, que acaba de igualar o recorde de Roger Federer de vitórias em jogos de singulares masculinos em Wimbledon, não teve papas na língua ao afirmar que “algo mudou” na produção das bolas, factor que pode estar por detrás do aumento alarmante de lesões entre os principais protagonistas do ténis mundial.

O ex-número um do ranking mundial, actualmente a competir em Wimbledon, garantiu o apuramento para os oitavos de final depois de derrotar Arthur Rinderknech por 7-5, 6-4, 1-6, 7-6(4), somando assim a sua 105.ª vitória no All England Club. Djokovic defrontará agora Roman Safiullin no domingo, 5 de Julho, num encontro decisivo para a continuação do seu percurso no torneio. Contudo, mais do que os resultados dentro de campo, as declarações do sérvio na conferência de imprensa, realizada na passada sexta-feira, dominaram as atenções: “Tive bastantes conversas com jogadores e treinadores nos últimos 12 meses sobre diferentes torneios, a falar sobre as bolas. Todos concordamos que, desde a COVID, algo mudou. As instalações de produção na China, utilizadas por quase todos os principais fabricantes de bolas do circuito, mudaram. Existe algum material, alguma coisa que mudou e afecta a forma como a bola reage actualmente”, afirmou Djokovic, manifestando uma preocupação transversal no balneário.

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A polémica prende-se com o facto de cada torneio poder escolher livremente o patrocinador das bolas, obrigando os jogadores a adaptarem-se constantemente a diferentes marcas e especificações técnicas. Neste momento, a Dunlop é a bola oficial do ATP, fruto de um contrato de cinco anos assinado em 2023, mas o US Open e Roland Garros utilizam bolas Wilson, Wimbledon tem uma parceria histórica com a Slazenger e os torneios norte-americanos recorrem à Penn e à Head. Esta falta de homogeneidade tem sido apontada como uma das principais causas do aumento de lesões ao nível do pulso, cotovelo e ombro, sobretudo após a pandemia. Daniil Medvedev, outro dos grandes críticos, já alertou para as dificuldades acrescidas provocadas pelas novas bolas, que descreveu como mais lentas e “fofas”, tornando o jogo mais exigente fisicamente.

A gravidade da situação ficou ainda mais evidente neste Wimbledon, onde nomes como Carlos Alcaraz, Emma Raducanu e Jack Draper foram forçados a desistir devido a lesões directamente relacionadas com traumatismos nos pulsos, braços e até fracturas ósseas. Entre os especialistas, cresce a convicção de que a ausência de uma bola padronizada e adaptada às necessidades dos atletas está a colocar em causa não só o espectáculo, mas também a integridade física dos jogadores. “Todos concordamos que, desde a COVID, algo mudou” — reiterou Djokovic, sublinhando que o fabrico em massa na China, por parte das principais marcas, alterou de forma substancial o comportamento das bolas em campo.

O impacto destas declarações vai muito além do momento actual de Wimbledon. Djokovic, ao assumir-se como voz activa do balneário, obriga a ATP e os organizadores dos Grand Slams a repensarem urgentemente o modelo de escolha das bolas, numa altura em que o número de lesões graves dispara e ameaça afastar as maiores estrelas do circuito. A discussão promete marcar a agenda dos próximos meses, com os jogadores a exigirem respostas e mudanças concretas para salvaguardar a sua saúde e a qualidade do espectáculo.

Enquanto isso, Djokovic mantém-se firme na luta pelo título em Wimbledon, onde continua a ser o favorito destacado a avançar para os quartos de final, apesar da boa campanha do surpreendente Roman Safiullin. O sérvio, apesar de já ter perdido dois sets nesta edição, mostrou estar em forma ao vencer Stefanos Tsitsipas na segunda ronda e não esconde a motivação: “Por vezes, nos jogos, tentamos desligar de tudo e de todos e não prestar atenção. Se algo acontece e vemos, acho que é um bom momento para dizer algumas palavras. Vão lembrar-se disso durante muito tempo. Estamos sozinhos em campo, há muitas emoções para gerir”, explicou Djokovic na mesma conferência de imprensa.

Para já, todos os olhos estarão postos não só no desempenho do sérvio dentro das quatro linhas, mas também na reacção dos responsáveis do circuito às suas críticas. A pressão está oficialmente do lado da ATP para dar uma resposta clara e decisiva a uma das maiores polémicas recentes do ténis mundial.

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