Gauff aposta no serviço para alcançar novo patamar em Wimbledon

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A transformação de Coco Gauff no serviço está a surpreender Wimbledon e a dar que falar entre especialistas e adeptos. Depois de temporadas marcadas por duplas faltas e estatísticas preocupantes, a jovem norte-americana parece finalmente ter encontrado a receita para dominar um dos elementos mais decisivos do ténis em relva – precisamente o serviço, que tantas vezes lhe traiu nos momentos decisivos.

Coco Gauff, de apenas 20 anos, qualificou-se para os oitavos-de-final de Wimbledon pela primeira vez desde 2024, mostrando sinais claros de evolução num piso que tradicionalmente nunca foi o seu favorito. No All England Club, a estrela americana deixou para trás as eliminações precoces dos últimos anos e chega agora à segunda semana do torneio, onde nunca conseguiu ultrapassar esta fase. A sua prestação está a ser acompanhada com entusiasmo, já que a melhoria no serviço poderá ser o ponto de viragem que faltava para finalmente ir mais longe no Grand Slam londrino.

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Esta notícia ganha ainda mais relevância tendo em conta o contexto recente da carreira de Gauff. Após um 2023 marcado por problemas no serviço — com sucessivas duplas faltas e dificuldades evidentes —, a tenista recorreu ao especialista em biomecânica Gavin MacMillan, numa tentativa desesperada de corrigir o calcanhar de Aquiles do seu jogo. Os resultados desse trabalho começam agora a ser visíveis, com Gauff a demonstrar mais consistência, maior percentagem de primeiros serviços e, sobretudo, confiança na hora de arriscar. O impacto desta evolução pode ser decisivo, não só para as suas aspirações em Wimbledon, mas para o seu regresso ao topo do ranking mundial e à luta pelos grandes títulos.

Em conferência de imprensa após a passagem à ronda seguinte, Gauff não escondeu a autocrítica, mas sublinhou a importância da nova abordagem ao serviço: “Sinto que joguei muito bem em alguns momentos e noutros nem tanto. Acho que isso é o ténis. Gostava de jogar um pouco melhor”, confessou, acrescentando: “Não sei… acho que é porque esta não é uma superfície onde me sinto sempre confortável. Estou apenas a tentar aprender e perceber o que resulta para mim. Hoje não mantive sempre as coisas que estavam a funcionar para eu conseguir a vantagem. No serviço, fui à procura do meu melhor.” A jogadora admitiu ainda que, apesar de não ter estado tão eficaz como no encontro inaugural, continua a acreditar no seu serviço: “Não estava a acertar tanto como no primeiro jogo, onde consegui vários ases. Também joguei contra uma melhor respondedora. Acho que posso variar mais no serviço, sem dúvida. Mas, ainda assim, o serviço tirou-me de alguns jogos complicados. Tenho fé no meu serviço, tenho estado a servir bem e talvez precise de variar um pouco mais.”

As estatísticas confirmam a mudança: na vitória sobre Tamara Korpatsch, perdeu apenas sete pontos no serviço, apesar de ter cometido duas duplas faltas. No encontro seguinte, frente a Solana Sierra, somou dez ases, embora os onze duplas faltas nas últimas duas rondas revelem que ainda há trabalho a fazer. Frente a Claire Liu, as estatísticas de serviço foram menos impressionantes, mas mesmo assim melhores do que em torneios anteriores, sinal de que a consistência está a aumentar.

Sobre o seu desempenho, Gauff esclareceu: “Não houve nenhum serviço hoje em que sentisse que só queria meter a bola em jogo. Tentei ser agressiva e apontar a alvos grandes no segundo serviço. No primeiro, fui para os meus golpes. Acho que jogo melhor assim. As adversárias têm menos hipóteses de responder ao meu serviço e estou a conseguir mais pontos diretos. A percentagem do primeiro serviço podia ter sido maior, talvez devesse ter misturado mais slices e variado os alvos, em vez de ir sempre à procura da potência. Mas quando vou com tudo, tenho confiança que vou acertar eventualmente, porque sei que consigo pôr o serviço lá dentro.”

Com os oitavos-de-final à porta, surge o verdadeiro teste. Coco Gauff vai defrontar Belinda Bencic, cabeça de série número 11, e sabe que qualquer deslize ao serviço poderá ser fatal nesta fase da competição. A própria tenista reconhece isso: “Sinto que, na maior parte das vezes, quando o meu primeiro serviço entra, recebo uma resposta mais fraca. É muito mais fácil começar o ponto a atacar do que simplesmente meter a bola e esperar que a adversária falhe. Neste nível, isso já não acontece, principalmente agora na segunda semana”, alertou.

Caso consiga ultrapassar Bencic, Gauff terá pela frente um duelo totalmente americano contra Jessica Pegula ou Iva Jovic, o que poderá significar um impulso extra de confiança e motivação. O futuro imediato de Gauff em Wimbledon depende agora da sua capacidade de manter a fé no serviço e de continuar a evoluir sob pressão. Se continuar neste caminho, a jovem americana pode finalmente quebrar a barreira dos oitavos-de-final e afirmar-se como séria candidata ao título. O ténis mundial está atento – será este o ano em que Coco Gauff conquista Wimbledon?

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