A polémica rodeia a relação entre o presidente da FIFA, Gianni Infantino, e o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com acusações graves vindas do vice-presidente da Federação de Futebol dos EUA. Nathán Goldberg Crenier lançou duras críticas a Infantino, acusando-o de “manchar todo o desporto” para ganhar o favor político de Trump durante a preparação e realização do Mundial de 2026.
Em editorial para o The Guardian, Crenier apela aos líderes das federações de futebol mundiais que se posicionem contra as decisões tomadas por Infantino, qualificando a sua liderança como “egoísta e transacional”, ameaçando “a alma do futebol”. O responsável, eleito em 2024 para o cargo nos EUA, destaca especialmente as tentativas de Infantino de “agradar Donald Trump a todo o custo” para conquistar o apoio do governo norte-americano.

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Um dos casos mais polémicos referidos por Crenier foi a suspensão temporária do cartão vermelho ao jogador da seleção norte-americana Folarin Balogun antes do jogo dos oitavos de final do Mundial contra a Bélgica. Balogun fora expulso na partida contra a Bósnia-Herzegovina por pisar o tornozelo do adversário Tarek Muharemović, numa ação que muitos consideraram acidental e excessivamente penalizada. Segundo relatos, Trump terá telefonado diretamente a Infantino para pedir a revisão da suspensão, algo que o próprio Trump admitiu ter feito “sem saber o que ia acontecer”. Contudo, fontes da FIFA indicam que a decisão final partiu do presidente do comité disciplinar, Mohammad al-Kamali.
Crenier aponta ainda para a polémica entrega do Prémio FIFA da Paz a Trump, numa cerimónia realizada em Washington, D.C., em dezembro, durante o sorteio do Mundial. Este prémio foi concedido por Infantino sem o aval do Conselho da FIFA, com vários membros a afirmarem que não foram sequer consultados sobre a criação ou atribuição do galardão, tendo apenas tomado conhecimento do facto através dos media.
Para o vice-presidente da Federação dos EUA, estas decisões prejudicam gravemente a integridade do futebol. A situação de Balogun provocou “muita confusão externa” e foi um significativo foco de distração para o avançado. Crenier criticou também a presença de Trump na entrega do troféu do Mundial de 2026, no final entre Espanha e Argentina, qualificando o gesto como “mais uma humilhação para o nosso desporto”.
No encerramento do seu editorial, Crenier revelou-se encorajado pelo crescente movimento de vozes críticas dentro do mundo do futebol que denunciam as ações e a ética de Infantino. Em maio, a UEFA já tinha manifestado descontentamento, acusando o presidente da FIFA de colocar “interesses políticos privados” acima do bem do futebol, e poderá mesmo apoiar candidatos para substituir Infantino, segundo o talkSPORT. A crise ética em torno da liderança da FIFA promete continuar a provocar divisões profundas no futebol mundial.
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