Jannik Sinner está no centro de uma polémica inesperada depois de optar por fixar residência em Mónaco, uma decisão que um jornalista italiano não hesitou em criticar publicamente. Apesar de ser o número um mundial e auferir 70 milhões de euros por ano, a mudança do tenista para o Principado, conhecido como paraíso fiscal, provocou uma onda de comentários negativos, especialmente na comparação com o seu rival Carlos Alcaraz, que mantém residência fiscal em Espanha.
Sinner, de 24 anos, reside em Mónaco há algum tempo, beneficiando não só das condições fiscais favoráveis, mas também da localização estratégica para a temporada europeia de terra batida e para a transição para os torneios de relva. A proximidade a eventos como o Masters de Monte-Carlo, Madrid, Roma, Paris e Londres facilita a logística da sua carreira. Além disso, o acesso a instalações de treino de alta qualidade, incluindo a academia Piatti em Itália e agora as excelentes infraestruturas em Mónaco, tem sido determinante para o seu desenvolvimento.
A crítica mais dura veio do jornalista italiano Luca Sommi, que questionou a escolha de Sinner numa emissão televisiva: “Irrita-me muito também. Mas às vezes pergunto-me a mesma coisa. Ganhas 70 milhões de euros por ano, então porque é que não fazes como o Alcaraz, que mantém a sua residência fiscal em Espanha? Será que 70 milhões de euros por ano não chegam?” Esta declaração sublinha a polémica em torno da mudança de residência do jovem tenista, sugerindo que o principal motivo seria a poupança fiscal, em vez de outros factores pessoais ou profissionais.
No entanto, Sinner já explicou a sua decisão em entrevista ao jornal L’Equipe, salientando que a busca por privacidade e tranquilidade foi fundamental: “Escolhi Mónaco pela paz e sossego que aqui encontro: posso ir a um restaurante ou fazer compras sem que ninguém me preste atenção, e é precisamente isso que preciso. Também devo dizer que as instalações – campos de ténis, ginásios – são perfeitas. Claro que sinto falta da minha família. Os meus avós estão a ficar mais velhos e gostava de os poder visitar mais vezes. Mas se tivesse ficado em casa a treinar, não estaria nas melhores condições para me tornar o melhor jogador que posso ser.”
Essa aposta parece estar a dar frutos. Sinner conquistou os últimos seis torneios Masters 1000, incluindo o seu primeiro título no Masters de Monte-Carlo, e defendeu com sucesso o título em Wimbledon. Apesar de alguns contratempos, como o insucesso em Roland Garros, o italiano tem dominado o circuito enquanto Alcaraz enfrenta uma lesão no pulso que o tem afastado das competições.
Agora, o tenista italiano prepara-se para disputar o Open do Canadá, onde poderá prolongar a sua impressionante série de vitórias consecutivas em Masters 1000, um momento crucial antes do US Open, onde perdeu para Alcaraz na última final. A decisão de Sinner em viver em Mónaco poderá, assim, revelar-se uma jogada decisiva para manter o seu estatuto de topo e a sua motivação para recuperar o título norte-americano.
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