FA inglesa preocupada com planos da FIFA para vender direitos do mundial

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A decisão da FIFA de vender participações nas suas competições principais gerou uma onda de indignação entre as entidades do futebol europeu. A Associação de Futebol de Inglaterra (FA) manifestou na quarta-feira a sua “profunda preocupação com a falta de processo e governança” após a confirmação dos planos da FIFA. A proposta, anunciada na terça-feira, visa a criação de uma subsidiária comercial que irá gerir eventos, com ligações alegadas à família do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A UEFA, organismo que rege o futebol europeu, foi um dos primeiros a reagir, afirmando que a Copa do Mundo não deve ser tratada como um “activo comercial”. A FA também expressou preocupações significativas sobre a falta de transparência neste processo. “Estávamos completamente alheios a esta proposta e não temos detalhes substanciais, incluindo o que realmente é a proposta e quais as condições associadas”, afirmaram em comunicado.

A FA sublinha que, face à informação limitada disponível, se sente alarmada com a aparente ausência de princípios claros e de governança que tenham permitido chegar a este ponto. “Quando a proposta for partilhada de forma completa e transparente, como agora prometido pela FIFA, iremos expor as nossas posições e comentar mais detalhadamente”, acrescentaram.

O Primeiro-Ministro britânico, Andy Burnham, também se manifestou sobre o tema, utilizando a rede social X para afirmar que “o futebol não pertence a investidores”. Burnham reforçou que “a Copa do Mundo não é um produto. É a maior competição do desporto mundial, e nunca pertenceu a ninguém para ser vendida”.

A FIFA, por sua vez, anunciou que a sua subsidiária, FIFA Forward Enterprise (FFE), irá selecionar “investidores a longo prazo que irão adquirir interesses minoritários e não controladores na FFE”. Apesar de permitir a entrada de investidores, a FIFA garantiu que manterá o controle total da FFE e a autoridade exclusiva sobre a governança do futebol, competições, calendário dos jogos e todas as decisões regulatórias e desportivas.

Este episódio levanta questões cruciais sobre o futuro do futebol e a forma como as entidades desportivas gerem as suas competições. Com a resistência crescente de federações e governos, a FIFA terá de navegar cuidadosamente para evitar um racha ainda maior no desporto. A próxima etapa será observar como a FIFA irá responder às preocupações expressas e se os detalhes prometidos da proposta trarão maior clareza e aceitação entre os intervenientes do futebol mundial.


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