A relação tensa entre Boris Becker e Alexander Zverev continua a dar que falar, especialmente após Becker ter excluído o atual número um do mundo da sua lista de candidatos a uma eventual parceria como treinador. Apesar de partilharem a mesma nacionalidade e ambos serem ex-números um do ténis masculino, a conexão entre os dois tem sido marcada por desentendimentos ao longo dos anos.
Becker, numa entrevista ao DerSpeigel, afirmou: “Tenho de ser o chefe no ringue. Se um membro da família tem uma opinião diferente, numa língua que não compreendo, neste caso russo, então é inaceitável.” O ex-jogador destacou a sua experiência ao ter estado ao lado de Zverev em muitos encontros, sublinhando que a sua relação teve altos e baixos. “Sou 30 anos mais velho que ele, tenho filhos da idade dele. É necessário dizer a esses jovens o que eles não gostam de ouvir às vezes. Isso pode motivá-los ainda mais; eles pensam: ‘O que é que ele está a dizer? Vou mostrar a esse velho.’ O principal é que ele ganhe”, declarou Becker, referindo-se ao sucesso do germânico em 2023.
Zverev, por sua vez, tem a sua equipa de treino liderada pelo pai, Alexander Zverev Sr., e é conhecido por ser relutante em separar-se de uma estrutura familiar que inclui também o seu irmão, Mischa. Embora tenha trabalhado com treinadores de renome como Juan Carlos Ferrero e Ivan Lendl, esses períodos raramente foram duradouros, com os estilos e métodos dos treinadores externos frequentemente em desacordo com a dinâmica familiar.
Becker possui um histórico de sucesso como treinador, notoriamente ao lado de Novak Djokovic entre 2013 e 2016, onde contribuiu para que o sérvio conquistasse seis títulos de Grand Slam. Durante esse tempo, Becker foi instrumental na modificação do serviço de Djokovic, tornando-o imbatível em todas as superfícies. O ex-tenista também teve uma experiência breve com Holger Rune, que culminou na qualificação do dinamarquês para as ATP Finals em 2023 sob a sua orientação.
A abordagem direta de Becker ao treino, que funcionou com veteranos como Djokovic, pode, no entanto, não ser bem recebida por Zverev, como se viu na parceria entre Goran Ivanisevic e Stefanos Tsitsipas, onde as críticas do croata não agradaram ao grego. Becker já havia feito comentários críticos sobre a popularidade de Zverev na Alemanha, questionando a sua capacidade de se expressar em entrevistas na língua materna, algo que não aconteceu quando falava em inglês, levando Zverev a responder com frustração.
Embora Becker não tenha nomeado um jogador específico para o seu potencial regresso ao treino, muitos consideram que uma parceria com o ex-número um não seria uma má ideia para Zverev, que enfrenta um turbilhão de questões, mesmo após ter alcançado o topo do ténis mundial.
Zverev teve um início difícil como número um, ao perder o seu primeiro jogo no Masters de Paris para Lorenzo Musetti. Após essa derrota, o alemão expressou o seu descontentamento em relação às perguntas sobre a sua classificação. Apesar de ter acumulado mais de 60 vitórias e dois títulos de Grand Slam esta temporada, as críticas sobre o seu desempenho contra adversários do Top-10, como Jannik Sinner e Carlos Alcaraz, continuam a ser um tema de debate.
Com as ATP Finals à vista, Zverev tem a oportunidade de terminar a temporada em grande, enquanto se prepara para um início de 2024 focado em melhorar o seu registo contra os melhores jogadores do circuito.
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