Mikel Arteta, o carismático treinador do Arsenal, fez revelações surpreendentes sobre os desafios que enfrenta para manter a felicidade do seu plantel, enquanto a equipa se prepara para uma das temporadas mais intensas da Premier League. Numa entrevista exclusiva com Sam Blitz da Sky Sports, Arteta discutiu a profundidade do seu plantel e a forma como está a moldar uma equipa capaz de lutar em todas as frentes. Com um embate colossal contra o Liverpool no horizonte, agendado para esta quinta-feira à noite, a pressão está em alta e o foco é total.
Arteta não hesita em usar analogias peculiares para ilustrar os desafios da sua função. Ao falar sobre a integração de novos jogadores na sua equipa, ele comparou o processo a “modelar um lápis”, uma metáfora que encapsula a necessidade de ajustes constantes. “É algo que você tem que ajustar continuamente”, diz Arteta, enquanto reflete sobre a sua experiência no comando dos Gunners.
A complexidade da tarefa de Arteta é amplificada pela enorme profundidade do plantel do Arsenal, que, este ano, tem enfrentado uma série de lesões que testaram as suas habilidades de gestão de jogadores. Com oito novas contratações, incluindo um guarda-redes, dois defesas, dois médios defensivos, dois jogadores ofensivos e um ponta de lança – metade deles estreantes na liga – a necessidade de integrar essas novas adições rapidamente tornou-se crucial. Arteta revela que a maioria desses jogadores teve de ser acionada em momentos decisivos, com exceção dos suplentes Kepa Arrizabalaga e Christian Norgaard.
Integrar novos elementos em uma equipa já estabelecida é um desafio que requer mais do que mera habilidade técnica. Os novos jogadores enfrentam não só a pressão de representar um dos clubes mais icónicos do mundo, mas também a complexidade de um sistema tático que Arteta desenvolveu ao longo dos anos. Para garantir que os novos integrantes estejam prontos para o que os espera, Arteta aplica um método rigoroso de avaliação antes da assinatura dos contratos.
“Eu sempre faço um exercício com os jogadores”, revela Arteta. Ele exemplifica com o caso de Viktor Gyokeres: “Quando você vem para um novo país, fala a língua? Qual é a situação da sua família? Porque lá [com a sua família] você está protegido, mas aqui ele está exposto e precisa viver cinco meses num hotel”. Arteta continua a descrever as dificuldades que um jogador enfrenta ao mudar-se para uma nova liga, especialmente uma tão exigente quanto a Premier League, onde o calendário é apertado e as expectativas são elevadas.
O treinador também abordou a realidade de que não todos os jogadores podem ter tempo de jogo, e isso gera frustração. Noni Madueke, que brilhou com dois golos contra o Club Brugge, não teve minutos nas três partidas seguintes da Premier League, enquanto Eberechi Eze, que fez história com um hat-trick no derby do norte de Londres, viu-se relegado ao banco por quatro jogos consecutivos. “Noni tem jogado muito”, observa Arteta sobre essas situações. “Ebz jogou mais jogos connosco agora do que jogou antes de janeiro”.
Diante da frustração dos jogadores que não têm tido oportunidades, Arteta acredita que a comunicação é fundamental. “Se eles tiverem dúvidas, você precisa dar-lhes clareza. Pintar o contexto da razão”, explica, sublinhando a importância de manter todos informados e motivados.
Com a pressão em alta e o desafio de manter a harmonia no plantel, Mikel Arteta continua a sua missão de transformar o Arsenal numa força indomável na Premier League. O futuro parece promissor, mas a estrada está cheia de obstáculos e ele está determinado a enfrentá-los com astúcia e resiliência.
