A recente proposta do diretor do Australian Open, Craig Tiley, está a gerar uma onda de controvérsia no mundo do ténis feminino. Tiley anunciou a sua intenção de implementar uma mudança significativa nas competições, sugerindo que as partidas de singulares femininos nas fases finais do torneio sejam disputadas ao melhor de cinco sets a partir de 2027. Esta ideia, que visa equiparar os jogos femininos aos masculinos em termos de formato, está longe de ser bem recebida por todas as jogadoras.
“Eu acredito que as mulheres deveriam jogar partidas a cinco sets e estamos a considerar introduzir essa novidade a partir dos quartos de final. Se após análise concluirmos que é uma mudança positiva, podemos implementá-la até 2027. Não existe nada nas regras que impeça isso, mas precisamos consultar cuidadosamente as jogadoras”, disse Tiley. O diretor recorreu ao impacto memorável das semifinais masculinas do Australian Open deste ano, afirmando que as mulheres também poderiam proporcionar partidas espetaculares sob este novo formato.
No entanto, a campeã do Australian Open 2026, Elena Rybakina, não hesitou em expressar a sua preocupação sobre esta proposta. Em declarações feitas a partir de Doha, onde compete atualmente, Rybakina manifestou dúvidas sobre a viabilidade e a qualidade das partidas se a mudança se concretizar. “Eu preferiria continuar a jogar partidas ao melhor de três sets; cinco são demasiados. Não estou certa de que a qualidade das partidas seria tão alta em cinco sets, e não sei quantas jogadoras estariam realmente a favor desta decisão, mas vejo isso como bastante difícil”, afirmou Rybakina.
É importante lembrar que, no passado, a final das WTA Finals foi disputada ao melhor de cinco sets entre 1984 e 1998, um formato que foi abandonado devido a questões de desgaste físico e logística. A resistência de Rybakina e de outras jogadoras, como Jasmine Paolini, sugere que a comunidade do ténis feminino pode não estar pronta para esta mudança radical.
A questão que se coloca agora é: será que a proposta de Tiley poderá ser efetivamente implementada? Ou será apenas mais um tema de debate sem uma solução clara? O futuro do ténis feminino pode estar a balançar-se entre a tradição e a inovação, e as jogadoras têm o seu papel crucial nesta discussão.
