Austrália garante oitavos de final do mundial após empate com Paraguai

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O Levi's Stadium, em São Francisco, foi palco de um dos duelos mais calculistas e tensos deste Mundial: Paraguai e Austrália assinaram um empate a zero que, apesar da ausência de golos, fez explodir emoções nas bancadas e deixou as duas selecções com um pé nos oitavos-de-final. Este jogo, que à partida prometia drama até ao último minuto, acabou por servir os interesses de ambas as equipas, permitindo à Austrália carimbar o passaporte para a próxima fase e deixando o Paraguai muito perto de também garantir a qualificação entre os melhores terceiros classificados.

Num encontro que fechou o Grupo D do Mundial 2026, tanto os australianos como os paraguaios terminaram com quatro pontos, mas a diferença de golos acabou por sorrir à formação dos Socceroos, que assim garantiu o segundo lugar. O Paraguai, por seu lado, mantém-se no quarto posto da tabela dos terceiros classificados, numa posição confortável tendo em conta que oito das doze selecções nessa situação avançam para a fase a eliminar. Para os australianos, o próximo desafio já está traçado: vão enfrentar o segundo classificado do Grupo G, que poderá ser Irão, Egipto, Bélgica ou até a surpreendente Nova Zelândia.

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O contexto deste resultado não pode ser subestimado. Depois de um arranque atribulado, com o Paraguai a sofrer quatro golos dos Estados Unidos e a resistir a 32 remates da Turquia, a formação sul-americana apresentou-se em campo com uma abordagem muito mais pragmática. Apostaram tudo na solidez defensiva, conscientes de que um empate seria suficiente para manter vivas as aspirações de continuar no torneio. A Austrália, por sua vez, assumiu as despesas do jogo, teve mais posse de bola, mas revelou-se incapaz de furar o muro defensivo paraguaio e criar ocasiões claras de golo. O facto de ambas precisarem apenas de um ponto para ficarem bem posicionadas na corrida à qualificação ditou um jogo de xadrez, com poucas oportunidades e muita cautela.

Gustavo Gómez, capitão do Paraguai, fez questão de sublinhar o valor estratégico do empate: “Foi um jogo equilibrado, muito físico. Tivemos dificuldades na primeira parte, não conseguimos impor o nosso jogo. Ajustámos ao intervalo e estivemos melhor no segundo tempo. O importante é que conquistámos um ponto e, com este resultado, penso que estamos qualificados, que era o nosso grande objectivo”, afirmou o defesa-central na zona mista após o apito final. Do lado australiano, Jackson Irvine destacou a solidez da equipa: “Sabíamos que ia ser um jogo de paciência, mas cumprimos o plano e estamos onde queríamos estar”.

O jogo, apesar de morno em emoção, não foi isento de momentos de tensão. Logo aos quatro minutos, Jackson Irvine obrigou Orlando Gill, guarda-redes paraguaio, a uma defesa apertada, lançando o aviso de que a Austrália queria resolver cedo. Aos 36 minutos, Jordan Bos tentou a sorte de longe, mas Gill voltou a responder. Já perto do intervalo, Cristian Volpato arrancou da direita e testou novamente os reflexos do guardião sul-americano. Na segunda parte, o Paraguai ganhou algum atrevimento com a entrada de Mauricio, que logo aos 50 minutos assinou o primeiro remate enquadrado da sua equipa. Contudo, foi já nos descontos que o mesmo Mauricio esteve perto de gelar os australianos, com um remate que saiu directo para as mãos de Patrick Beach, guarda-redes dos Socceroos.

O empate a zero pode não ficar para a história como um dos jogos mais vibrantes deste Mundial, mas a sua importância é inegável. A Austrália, com uma prestação consistente, volta a mostrar que é uma selecção capaz de se superar nas grandes competições, enquanto o Paraguai, apesar de todas as dificuldades, demonstrou uma capacidade de resiliência notável. Resta agora esperar para saber se os sul-americanos confirmam a passagem aos oitavos-de-final, algo que dependerá dos resultados dos restantes grupos.

A próxima ronda promete ainda mais emoção. A Austrália prepara-se para um confronto de alto risco contra o segundo do Grupo G, onde a incerteza reina. O Paraguai, com os nervos à flor da pele, terá de aguardar pelos desfechos dos outros grupos para saber se continua a sua caminhada. Uma coisa é certa: este Mundial está longe de acabar e a imprevisibilidade continua a ser o prato forte desta competição. Para já, são os australianos que festejam, mas os paraguaios mantêm a esperança bem acesa.

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