“Overturn this” — foi esta a resposta mordaz da Federação Belga após a eliminação da selecção dos Estados Unidos do Mundial, num desaire humilhante por 4-1 perante a Bélgica, em Seattle. O sentimento de injustiça que pairava sobre a comitiva belga, depois da surpreendente decisão de anular o cartão vermelho de Folarin Balogun — alegadamente influenciada por um telefonema de Donald Trump ao presidente da FIFA, Gianni Infantino — atingiu o auge quando os Diabos Vermelhos carimbaram a passagem aos quartos-de-final, onde vão defrontar a Espanha.
Charles de Ketelaere destacou-se com dois golos, enquanto Hans Vanaken e Romelu Lukaku também deixaram a sua marca no marcador. Balogun, cuja utilização gerou polémica nas horas que antecederam o encontro, acabou por ter um papel secundário num jogo dominado pela formação belga, que fez questão de ironizar a polémica dentro e fora das quatro linhas.

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O ambiente explosivo sentia-se desde o apito inicial, mas foi nas redes sociais que a Federação Belga lançou o ataque mais directo, publicando a mensagem “overturn this” após o apito final. No relvado, a provocação continuou, com os jogadores belgas a imitarem a dança emblemática de Trump após o golo de Lukaku, numa clara alusão à influência política que pairou sobre o caso Balogun.
Nicolas Raskin, médio belga, explicou no final do jogo como o grupo lidou com a situação: “Aconteceu muita coisa fora do campo nestes dois dias. Sentimos injustiça dentro do grupo e estávamos determinados a responder dentro de campo”, afirmou o jogador, sublinhando a motivação extra que a polémica gerou no balneário.
Apesar da controvérsia, Balogun não esteve envolvido directamente na decisão e, segundo revelou o seleccionador belga Rudi Garcia, fez questão de visitar o balneário adversário após o apito final. “Gostei muito desse gesto. Não é culpa dele, ele não tem responsabilidade no que aconteceu e foi isso que lhe transmiti”, esclareceu Garcia, elogiando a postura do avançado.
Do lado norte-americano, o seleccionador Mauricio Pochettino tentou desvalorizar a influência do caso Balogun na performance da sua equipa, classificando o desaire como “um mau dia”. “Não afectou a nossa prestação. Não é desculpa. Não estivemos à altura, não foi o nosso dia. Não demonstrámos a qualidade que devíamos. Tudo o que se passou à volta da situação Balogun foi externo, mas não foi algo que nos afectasse enquanto grupo”, garantiu Pochettino, já depois do apito final.
O médio Tyler Adams partilhou da mesma opinião: “Quando aconteceu, foi tão surpresa para nós como para vocês. Não penso que o ruído ou outra coisa nos tenha afectado. Se algo, até nos motivou”, afirmou o jogador norte-americano.
Com o contrato a terminar, Pochettino recusou-se a adiantar detalhes sobre o futuro: “Agora não é momento para falar disso. É tempo de avaliar o torneio. Nas próximas semanas poderemos conversar, se a federação quiser. Esta equipa mostrou que pode competir, com muitos jovens de grande potencial. É importante continuar a acreditar neste processo”, concluiu o técnico argentino.
A polémica em torno de Balogun acabou por eclipsar o desempenho da selecção dos EUA, que registou uma das exibições mais fracas da era Pochettino, abrindo caminho para a resposta implacável da Bélgica, tanto em campo como nas redes sociais.
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