Chefe do conselho da europa acusa FIFA de abrir porta à fraude nas apostas

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A FIFA está a abrir uma porta escancarada à fraude no futebol, acusa o secretário-geral do Conselho da Europa, Alain Berset, numa crítica dura que lança uma sombra sobre a integridade do Mundial de futebol. Berset denunciou o acordo da FIFA com uma empresa de apostas e alertou para a influência política que está a ameaçar a credibilidade do torneio, cuja final decorre este domingo.

Numa carta aberta publicada em simultâneo com o último jogo, o responsável suíço alerta para diversas polémicas que marcaram a competição, incluindo a suspensão suspensa do avançado norte-americano Folarin Balogun após uma intervenção política direta, o questionamento da autoridade dos árbitros, abusos racistas contra jogadores — alguns vindos de figuras políticas — e a proliferação de apostas sobre cada lance do jogo, desde cartões a cantos. Berset afirmou: “A celebração termina hoje à noite. As perguntas não.”

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Este aviso ganha relevância tendo em conta o memorando de entendimento vigente desde 2018 entre a FIFA e o Conselho da Europa, que visa promover direitos humanos, integridade e boa governação no desporto. A crítica pública de um parceiro a outro é extremamente rara, o que sublinha a gravidade da situação.

O secretário-geral apontou diretamente para o contrato da FIFA com a ADI Predictstreet, empresa oficial de mercado de previsões do Mundial desde abril, e rejeitou o modelo de apostas que ultrapassa o resultado final para apostar em pormenores do jogo, como momentos individuais dos jogadores. “Uma aposta ganha quando outra perde. É uma porta aberta à fraude. E este Mundial abriu essa porta ainda mais,” alertou Berset.

No caso específico de Balogun, cuja suspensão foi levantada após uma chamada do ex-presidente dos EUA Donald Trump ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, Berset criticou: “Quando as regras se dobram sob pressão, todo o resultado fica em dúvida.” Infantino, porém, defendeu que a decisão foi tomada pela comissão disciplinar da FIFA “de forma independente, com base nas regras aplicáveis e nos factos específicos”.

Berset propôs a abertura imediata de um “diálogo de trabalho” para reforçar a integridade do futebol antes do Mundial de 2030, que será maioritariamente realizado na Europa. Recordou o papel do Conselho da Europa em legislar sobre segurança dos adeptos após a tragédia de Heysel, assim como medidas contra doping e manipulação de resultados.

Esta intervenção pública surge numa altura em que 72 eurodeputados solicitaram às associações nacionais de futebol da UE uma investigação sobre a interferência de Infantino no processo disciplinar de Balogun, apontando para possíveis violações do código ético da FIFA e da neutralidade política. Embora a UEFA não pareça disposta a avançar formalmente com o caso, o debate sobre a ética e a transparência no futebol mundial está mais vivo do que nunca.

A polémica do Mundial 2026, junto com a alegada influência política e o crescimento das apostas detalhadas, coloca a FIFA sob pressão para implementar reformas profundas que garantam a transparência e a justiça no desporto-rei. O desafio é claro: devolver ao futebol a credibilidade que está em risco no palco mais importante do planeta.

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