A luta pelo top quatro da Premier League está a ferver esta temporada, mas a equipa do Chelsea enfrenta um obstáculo que pode comprometer as suas aspirações: um alarmante problema de disciplina. Com decisões impulsivas e uma incapacidade de manter a calma em momentos cruciais, os Blues vêem-se numa encruzilhada que poderá custar-lhes um lugar entre os melhores da liga.
Sob a liderança de Liam Rosenior, o Chelsea tem demonstrado um futebol mais liberado e ofensivo, trazendo novos ares e renovada confiança ao grupo. Contudo, por trás desse renascimento, esconde-se um dilema que ameaça desviar a equipa do seu caminho. Até ao momento, os londrinos já acumularam seis cartões vermelhos na Premier League, igualando um recorde que remonta à temporada 2007/2008, e com onze jogos ainda pela frente, essa marca pode muito bem ser superada.
Mas o problema disciplinar do Chelsea não se limita apenas aos cartões vermelhos. Eles ocupam a última posição na tabela de fair play da liga, contabilizando impressionantes 60 cartões amarelos nesta temporada. Este fenómeno não é novo, uma vez que na temporada passada terminaram em penúltimo e na anterior, mesmo em último. A inabilidade da equipa em corrigir este problema está a custar-lhes caro.
A situação é ainda mais alarmante quando se analisa que cinco dos seis cartões vermelhos do Chelsea ocorreram em partidas em que a equipa acabou por perder pontos. Estes castigos não só interrompem o ímpeto da equipa, como também prejudicam a consistência dos resultados. A única vitória durante essas expulsões aconteceu num jogo fora, contra o Nottingham Forest, onde já lideravam por 3-0 antes da saída de Malo Gusto.
Nos jogos em que sofreram expulsões, os Blues conquistaram apenas cinco pontos dos 18 possíveis, numa sequência que inclui empates e derrotas inesperadas contra adversários que deveriam ser facilmente superados, como Burnley, Brighton e Fulham. Com esses pontos adicionais, o Chelsea estaria agora confortavelmente instalado no top quatro, em vez de lutar arduamente com os rivais e, paradoxalmente, contra si mesmos.
As consequências das expulsões não se limitam ao momento, mas afetam também os jogos futuros devido às suspensões. Jogadores cruciais como Moises Caicedo, Marc Cucurella, Wesley Fofana, Robert Sanchez, Trevoh Chalobah e Malo Gusto já receberam ordens de saída esta temporada, todos eles frequentemente titulares na formação de Chelsea. A expulsão de Caicedo contra o Arsenal, por exemplo, foi um golpe duro, pois a equipa, que parecia dominar, viu o jogo terminar empatado a 1-1, e a sua ausência na partida seguinte resultou numa derrota por 3-1 frente ao Leeds.
Este padrão de comportamento imprudente não só afeta os jogos em que os cartões são mostrados, mas começa a moldar toda a trajetória da equipa na competição. A corrida pelo top quatro da Premier League raramente é decidida por vitórias avassaladoras; ela é frequentemente influenciada pela gestão do jogo e pela disciplina em partidas apertadas. A falta de controlo do Chelsea tem transformado situações geríveis em verdadeiros desafios. Jogar com menos um homem não só aumenta a carga física como também obriga a equipa a compromissos táticos que reduzem a sua capacidade de ataque e permitem que o adversário ganhe o controlo do jogo.
Ao longo de uma longa temporada, pequenas interrupções acumulam-se e as suspensões perturbam a continuidade da equipa, forçando escolhas de jogadores em vez de opções táticas pensadas. O problema disciplinar do Chelsea já não é um simples defeito; tornou-se um fator determinante nas suas aspirações ao top quatro.
Enquanto o Manchester United recupera a sua forma, e o Liverpool continua a somar pontos mesmo em exibições menos conseguidas, os Blues não podem dar-se ao luxo de se autossabotar. A pressão para evitar novas expulsões é mais intensa do que nunca, pois a luta pela elite da Premier League chega a um ponto crítico.
