Thibaut Courtois está a abalar o futebol internacional ao admitir, de forma surpreendente, que poderá abandonar a selecção belga após o Mundial. O guarda-redes do Real Madrid, uma das maiores referências dos “Diabos Vermelhos”, deixou no ar a hipótese de esta ser a sua última grande competição ao serviço do seu país, mesmo antes do arranque do Grupo G frente ao Egipto, em Seattle.
Com 34 anos e 109 internacionalizações, Courtois afirmou esta quinta-feira, na base da selecção belga, que sente estar na altura de passar o testemunho a uma nova geração. “Não sei se devemos estar já a falar do futuro, mas as hipóteses de eu não continuar depois deste torneio são maiores do que as de continuar”, disse o guardião, acrescentando ainda: “Quero jogar mais alguns anos. Mas depois, é preciso cuidar do corpo. A minha família está aqui porque isto pode ser o meu último torneio.” A proximidade do Mundial, repartido entre Canadá, México e Estados Unidos, serviu de catalisador para a reflexão do atleta sobre o seu percurso ao mais alto nível.

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O impacto de uma eventual saída de Courtois não se esgota na selecção belga. Trata-se de um dos nomes mais sonantes do futebol europeu, titular indiscutível no Real Madrid e sinónimo de segurança entre os postes, tanto ao serviço do clube como da selecção. A Bélgica, frequentemente apontada como uma das potências emergentes do futebol mundial, ficaria órfã de um dos seus líderes históricos, precisamente numa altura em que a renovação do plantel se impõe. Para além do peso emocional, esta decisão poderá provocar alterações profundas na estrutura defensiva da equipa, obrigando o seleccionador a apostar definitivamente em jovens como Senne Lammers ou Mike Penders.
Courtois, que foi explícito quanto ao que poderá influenciar a sua decisão final, não descartou por completo a continuidade, caso a Bélgica realize um Mundial de excelência. “Se fizermos um bom Mundial, claro. E se continuar a sentir o bom ambiente dentro do grupo. Depois, terei de ter uma conversa interna com o seleccionador, com o director técnico Vincent Mannaert e com os médicos”, explicou o internacional belga, mostrando-se pragmático sobre o que o futuro reserva. Courtois também recordou a gestão feita pelo antigo seleccionador Domenico Tedesco, que lhe permitiu falhar alguns estágios de selecção: “Percebi que nesses intervalos internacionais se pode descansar e trabalhar com calma no ginásio”, revelou, sublinhando ainda: “No último ano e meio, tive mais pequenos problemas físicos e lesões, por isso é natural pensar mais no futuro. Estou a considerar passar o testemunho. Há muito talento a aparecer, como o Senne (Lammers) e o Mike (Penders).”
Apesar das incertezas quanto à sua continuação após o Mundial, Courtois garantiu estar com “fome” de competição e totalmente focado no encontro inaugural frente ao Egipto. “Sim, estou com muita vontade, tal como o resto do grupo. Sinto-me muito bem e estou ansioso pelo início”, afirmou, destacando o esforço feito na recuperação da lesão no quadríceps: “Trabalhei muito no regresso durante a primavera. A lesão foi azarada porque, nesse momento, sentia-me quase imbatível. Mas agora estou pronto para manter o meu nível e continuar concentrado”, concluiu o experiente guarda-redes.
O futuro de Courtois na selecção belga permanece em aberto, mas uma coisa é certa: a Bélgica terá de preparar-se para uma nova era entre os postes, com ou sem o seu número 1. Para já, todas as atenções estão centradas no Mundial, onde o desempenho dos “Diabos Vermelhos” poderá ser decisivo para o desfecho desta novela. Caso Courtois se despeça mesmo após o torneio, a sua ausência representará não só o fim de um ciclo dourado, mas também o início do desafio de encontrar um sucessor à altura. Resta saber se os jovens talentos conseguirão corresponder à fasquia elevadíssima deixada pelo gigante de Madrid.
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