Wimbledon sobe prémios para 64 Milhões mas críticas dos jogadores mantêm-se

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A polémica em torno da distribuição dos prémios monetários nos Grand Slams atingiu um novo pico com o anúncio surpreendente de que Wimbledon vai aumentar o seu prize money total para uns impressionantes 64,2 milhões de libras. Este valor representa um salto significativo face à edição anterior, mas está longe de acalmar a revolta dos principais tenistas, que ameaçam mesmo avançar para um boicote histórico ao mais prestigiado torneio de relva do mundo.

O All England Club revelou que, em 2024, tanto o campeão masculino como a campeã feminina de singulares vão receber 3,6 milhões de libras cada, mais 600 mil do que no ano passado. Até os derrotados na primeira ronda vão sair de Londres com 80 mil libras no bolso, uma subida de 14 mil libras relativamente a 2023. No entanto, esta injecção de dinheiro, que coloca Wimbledon próximo da fasquia dos 16% de partilha de receitas exigida pelos jogadores (ficando-se nos 15,15%), está longe de satisfazer as exigências dos principais protagonistas do ténis mundial.

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Nomes sonantes como Jannik Sinner e Aryna Sabalenka têm vindo a público contestar veementemente o modelo de distribuição dos prémios, acusando os organizadores dos Grand Slams de não acompanharem o crescimento astronómico das receitas do circuito. As críticas tornaram-se especialmente audíveis após Roland Garros, onde muitos atletas consideraram injusta a fatia destinada aos jogadores face ao lucro gerado. Wimbledon respondeu com este aumento robusto, mas a tensão permanece no ar.

Este descontentamento não é um mero capricho: está em jogo o equilíbrio de poder entre jogadores e organizações, assim como a sustentabilidade do próprio circuito. Os atletas de topo reivindicam uma maior fatia das receitas, argumentando que são eles quem gera o espectáculo e atrai patrocinadores e audiências globais. Por seu lado, os torneios defendem a necessidade de investir em infraestruturas e no desenvolvimento do desporto, garantindo a longo prazo a viabilidade do ténis enquanto negócio e espectáculo.

Jamie Baker, director do torneio de Wimbledon, abordou o tema sem rodeios numa entrevista concedida a Andy Roddick no podcast Served, classificando o debate como “frustrante”. Baker explicou: “Custa dinheiro organizar um campeonato. Custa dinheiro desenvolver a marca ao longo de muitos, muitos anos. Agora, esse dinheiro e esse investimento, olho para isto de duas formas: a organização anual do torneio e os grandes projectos de infraestruturas. Estes dois elementos combinados são o motor que nos permite gerar receitas, que depois servem dois propósitos: podemos distribuir em grande escala prémios monetários aos jogadores e também apoiar o ténis de base. Esse é o nosso modelo de negócio. Não há fugas, não há accionistas; não existimos para entregar lucros a alguém. Todo o dinheiro fica no ténis”, afirmou o dirigente britânico.

Baker fez ainda questão de sublinhar que “usar apenas a métrica das receitas não faz sentido para este negócio, porque as receitas apenas contabilizam o dinheiro que entra. Não consideram os custos ou os investimentos, e isso tem de fazer parte da conversa. O que me frustra neste debate é que estamos do lado dos jogadores. Queremos que os jogadores partilhem o crescimento do campeonato, e há um caminho para isso. Mas temos de dar um passo atrás e reconhecer o que faz este negócio funcionar, aquilo que nos permite, em média, gerar dez vezes mais receitas do que um torneio 1000, e ainda assim distribuir até cinco vezes mais dinheiro”.

Com o arranque de Wimbledon à porta, a tensão promete transformar esta edição do Grand Slam num autêntico barril de pólvora. As exigências dos jogadores podem precipitar negociações de última hora ou, num cenário extremo, um boicote que abale os alicerces da modalidade. Se a contestação continuar, outras provas do Grand Slam poderão ser pressionadas a rever, de imediato, os seus próprios modelos de distribuição de receitas.

A próxima semana será decisiva para perceber se o aumento recorde anunciado por Wimbledon será suficiente para afastar a ameaça de boicote e para restaurar a paz entre organização e jogadores. Certo é que, independentemente do desfecho, o debate sobre quem deve lucrar mais com o sucesso do ténis mundial está longe de terminar. O futuro do circuito pode muito bem passar por uma nova era de partilha de receitas — ou por uma guerra aberta entre jogadores e dirigentes.

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