Dick Advocaat fez história e surpreendeu o mundo do futebol ao tornar-se, aos 78 anos, o treinador mais velho de sempre a orientar uma selecção num jogo do Mundial, ao comandar Curaçau na estreia frente à poderosa Alemanha, este domingo. O técnico holandês, conhecido pela sua longevidade e experiência em grandes palcos, bateu um recorde que parecia intocável, mas que foi pulverizado por três vezes em apenas quatro dias nesta edição do Campeonato do Mundo de 2026.
O recorde de treinador mais velho em Mundiais tinha sido estabelecido em 2010 pelo grego Otto Rehhagel, então com 71 anos, destronando Cesare Maldini, que orientara o Paraguai aos 70 anos no Mundial de 2002. No entanto, esta marca que permaneceu imbatível durante 16 anos foi subitamente ultrapassada numa autêntica maratona de ultrapassagens durante a fase de grupos desta edição. Primeiro, Hugo Broos, seleccionador da África do Sul, tomou o recorde ao entrar em campo diante do México, já com 74 anos completados em Abril. Apenas cinco horas depois, o checo Miroslav Koubek, nomeado seleccionador da Chéquia em Dezembro de 2025, subiu ao topo da lista ao orientar a sua equipa aos 74 anos, quase 75, após uma longa carreira como guarda-redes e treinador de clubes europeus.

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No entanto, nenhuma destas conquistas resistiu ao regresso de Advocaat, que voltou a surpreender tudo e todos ao assumir novamente o comando técnico de Curaçau para o arranque do Mundial. Nomeado seleccionador da pequena ilha caribenha em 2024, Advocaat guiou a equipa à qualificação histórica em Novembro de 2025. Contudo, o treinador holandês viu-se forçado a afastar-se em Fevereiro deste ano devido a problemas de saúde da filha. Fred Rutten, então adjunto, assumiu provisoriamente o comando técnico, mas o destino e a vontade do plantel acabaram por devolver Advocaat ao banco: com a melhoria do estado de saúde da filha e a pressão dos jogadores e de um patrocinador que ameaçou retirar o apoio caso Rutten se mantivesse, Advocaat regressou em Maio para liderar a equipa no maior palco do mundo.
Este feito não é apenas um marco pessoal para Advocaat, mas também um reflexo do seu percurso absolutamente invulgar no futebol mundial. Com uma carreira iniciada em 1980, o holandês já treinou a selecção masculina dos Países Baixos em três ocasiões, depois de ter passado brevemente pela equipa feminina em 1987. A sua carreira passou por clubes e selecções de praticamente todos os quadrantes do futebol global: Rangers, Borussia Monchengladbach, Zenit, Sunderland, Feyenoord, e ainda as selecções dos Emirados Árabes Unidos, Coreia do Sul, Bélgica, Rússia, Sérvia e até uma passagem pelo Iraque em 2021. Curaçau é, incrivelmente, o oitavo país que Advocaat orienta, o que lhe confere uma bagagem internacional ímpar.
À imprensa, o próprio Advocaat não escondeu a emoção pelo regresso ao activo e pela marca alcançada: “Nunca pensei que, a esta idade, ainda pudesse viver momentos como este. O futebol dá-nos sempre surpresas e sinto-me verdadeiramente privilegiado por estar aqui com esta equipa”, confessou após o jogo de estreia, visivelmente emocionado. O presidente da Federação de Futebol de Curaçau destacou o impacto do treinador: “A experiência do mister Advocaat é fundamental para a nossa selecção. Ele trouxe uma mentalidade vencedora e transformou o grupo.”
A importância deste recorde transcende a simples estatística: demonstra que a experiência pode ser decisiva no futebol de selecções, sobretudo em equipas “outsider” como Curaçau, que procuram inspiração e liderança para desafiar os favoritos. O feito de Advocaat lança também um novo debate sobre a idade e a longevidade no desporto de alta competição, mostrando que o conhecimento e a paixão podem sobrepor-se à barreira do tempo.
Com o Mundial ainda no início, resta saber se Advocaat conseguirá liderar Curaçau a uma campanha memorável ou se este recorde será apenas um capítulo simbólico na sua carreira lendária. Certo é que o treinador holandês já garantiu um lugar na galeria dos imortais da competição, enquanto a pressão e as expectativas aumentam para a selecção caribenha, que sonha agora com um percurso surpreendente sob a liderança do seu veterano comandante. O mundo ficará atento aos próximos jogos, onde se verá até onde Advocaat e os seus pupilos podem ir e se este recorde invulgar resistirá a futuras gerações de treinadores.
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