Surpreendente reviravolta em Inglewood: os Estados Unidos, embalados por duas vitórias categóricas e com o apuramento já garantido no topo do Grupo D, sofreram uma derrota por 3-2 frente à Turquia, deixando no ar dúvidas perturbadoras sobre a solidez defensiva da equipa a escassos dias do início da fase a eliminar do Mundial. Apesar do resultado ser aparentemente inócuo para a classificação, os erros cometidos não podem ser ignorados e lançam inquietações sérias para a próxima etapa da competição.
A selecção norte-americana, orientada por Mauricio Pochettino, apresentou um plantel com várias das suas principais figuras a descansar no banco ou a jogar menos de uma parte, numa estratégia clara de gestão física antes dos oitavos-de-final. Ainda assim, o desaire não abalou a liderança dos EUA no grupo nem, a julgar pelas declarações no final do encontro, a confiança do grupo. Sebastian Berhalter fez o empate na segunda parte com um remate fulminante, e tudo parecia encaminhado para um empate satisfatório. Contudo, a desatenção defensiva nos momentos finais permitiu à Turquia selar a vitória com um golo dramático mesmo ao cair do pano.

O MUNDIAL 2026 VIVE-SE COM A LEGO
Este resultado surge numa altura crítica, já que a fase decisiva do Mundial está prestes a começar. Os EUA enfrentam a Bósnia e Herzegovina na próxima quarta-feira, em Santa Clara, Califórnia, num jogo em que não haverá margem para erros. A derrota frente à Turquia não compromete a ambição da equipa, mas expõe vulnerabilidades que podem ser fatais diante de adversários mais exigentes. A pressão alta e a qualidade de movimentação dos turcos evidenciaram lacunas na organização defensiva americana, algo que será certamente explorado pelos rivais na fase a eliminar.
No final do jogo, Matt Turner, o guarda-redes americano, foi claro ao analisar o desfecho: “Num jogo diferente, com consequências diferentes, talvez tivéssemos abordado os últimos cinco a sete minutos de outra forma”, admitiu. “Deixámo-nos levar pelo momento. Todos queríamos dar um último motivo de celebração aos adeptos, mas acabámos por ser penalizados.” Turner não escondeu a preocupação com a facilidade com que permitiram oportunidades à Turquia, sublinhando: “A qualidade das ocasiões que concedemos foi demasiado elevada.”
Tim Weah, extremo dos EUA, evocou o Mundial de 2022 no Qatar, onde a ingenuidade custou caro à equipa na derrota frente aos Países Baixos nos oitavos-de-final. “Mesmo quando olhamos para 2022, cometemos alguns erros contra os Países Baixos e isso custou-nos a continuidade no torneio”, lembrou Weah. “Estes pequenos erros são algo que temos de corrigir.” A experiência acumulada, com 13 jogadores com experiência mundialista nesta convocatória, é vista como trunfo para evitar repetições do passado.
Do lado positivo, o regresso de Christian Pulisic dissipou dúvidas sobre a sua condição física. O avançado, recuperado de uma lesão na barriga da perna, entrou ao minuto 58 e trouxe imediatamente energia ao ataque, com incursões perigosas pela área turca. Gregg Berhalter, seleccionador dos EUA, não poupou elogios: “Viu-se a qualidade dele e o impacto imediato que trouxe quando entrou. Ele é o nosso homem.” Com Pulisic de volta, Folarin Balogun pronto a regressar ao onze e Weston McKennie a assumir um papel mais avançado, a frente de ataque americana promete regressar à sua melhor forma já na próxima eliminatória.
A derrota frente à Turquia, apesar de dolorosa, permitiu rodar vários elementos menos utilizados do plantel, concedendo-lhes minutos valiosos numa fase em que cada detalhe pode ser decisivo. A gestão de esforço e experiência pode revelar-se determinante para a capacidade de resposta dos EUA na fase a eliminar. Agora, a grande incógnita é saber se a equipa conseguirá ultrapassar rapidamente o desaire e apresentar-se com a concentração máxima diante de adversários que não perdoam deslizes.
O próximo desafio, frente à Bósnia e Herzegovina, será o verdadeiro teste à maturidade deste grupo norte-americano. Se conseguirem corrigir os lapsos defensivos e manter a mentalidade vencedora demonstrada frente à Austrália e ao Paraguai, os EUA continuarão a ser candidatos sérios a fazer história em casa. Tim Weah deixou claro o espírito do grupo: “Acredito nesta equipa. Fizemos um trabalho extraordinário até aqui. Só temos de manter a mesma mentalidade.” A resposta chega já na próxima quarta-feira, num jogo onde não há espaço para segundas oportunidades.
AGORA PODE ACOMPANHAR O MUNDIAL DE FUTEBOL COM TODA INFORMAÇÃO – AQUI
Discover more from Apito Final
Subscribe to get the latest posts sent to your email.
