Escócia volta a vencer num Mundial após 34 anos com golo de John McGinn

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A Escócia quebrou um jejum de 34 anos sem vitórias em Mundiais, derrotando o Haiti por 1-0 no Gillette Stadium, em Massachusetts, e reacendeu a esperança dos adeptos escoceses com uma exibição cheia de garra e um golo decisivo de John McGinn. Este triunfo, o primeiro desde 1990 em fases finais de Campeonatos do Mundo, marca um regresso à ribalta para a selecção escocesa e lança um sinal claro: a Tartan Army está de volta para lutar até ao fim.

No essencial, John McGinn foi o herói da noite, ao marcar o único golo do encontro, garantindo três pontos fundamentais para as aspirações da Escócia no Grupo C. O jogo ficou ainda marcado pela exibição vibrante do jovem extremo Ben Gannon-Doak, de apenas 20 anos, que se destacou pela constante ameaça pelo flanco direito. Apesar de ainda não estar a 100% fisicamente, após uma grave lesão muscular, Gannon-Doak mostrou porque é considerado uma das grandes esperanças do futebol escocês, ao tentar seis dribles, dois cruzamentos e seis passes para a zona de perigo — números que comprovam o impacto positivo que teve na manobra ofensiva da equipa, sobretudo numa noite em que a posse de bola não foi dominada pela Escócia.

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O colectivo defensivo escocês também merece destaque. O Haiti tentou explorar as alas com 23 cruzamentos ao longo do jogo, mas só um deles resultou numa ocasião verdadeiramente perigosa. Grant Hanley e Jack Hendry foram autênticas muralhas, anulando Wilson Isidor e vencendo todos os duelos a que foram chamados. Os laterais Andrew Robertson e Aaron Hickey, ambos com a melhor classificação em campo (7,4), não só deram segurança atrás como também se aventuraram no ataque: juntos, criaram uma ocasião flagrante, realizaram oito duelos ganhos, seis cruzamentos e seis alívios defensivos. O seleccionador Steve Clarke só pode estar satisfeito com a solidez e versatilidade do sector recuado.

Nem tudo foi perfeito para os escoceses. O ponta-de-lança Lawrence Shankland esteve praticamente ausente do jogo, com apenas 28 toques na bola, dois remates (um bloqueado, outro ao lado) e uma única passe certeiro no último terço. Apesar de o estilo de jogo da Escócia privilegiar as alas e os laterais, espera-se mais de um avançado que marcou três golos nos amigáveis de preparação. Shankland, recém-contratado pelos Rangers, terá de ser mais bem servido nos próximos embates, onde o seu instinto matador pode ser determinante frente a adversários mais poderosos como o Brasil e Marrocos.

Do lado haitiano, a derrota custou caro, sobretudo no regresso ao Mundial após mais de meio século de ausência. Ainda assim, os Les Grenadiers deixaram uma imagem de grande dignidade e capacidade colectiva. Os extremos Ruben Providence e Louicius Deedson entusiasmaram com arrancadas velozes, enquanto Jean-Ricner Bellegarde impressionou no meio-campo pela intensidade e pulmão. O ataque, liderado por Isidor e Frantzdy Pierrot, mostrou-se trabalhador, embora tenha esbarrado na muralha escocesa. O seleccionador haitiano pode retirar vários aspectos positivos deste encontro, sobretudo tendo em conta os exigentes duelos que se seguem frente a brasileiros e marroquinos.

John McGinn, protagonista da noite, reforçou a sua importância histórica na selecção escocesa ao tornar-se o quinto melhor marcador de sempre do país. O médio do Aston Villa, que soma já o quarto maior número de internacionalizações pela Escócia, voltou a ser decisivo. Após o jogo, McGinn afirmou: “Sabíamos que era um jogo crucial para nós. O golo foi o resultado do trabalho de toda a equipa.” Estas palavras, proferidas na zona mista, demonstram o espírito de união que Steve Clarke conseguiu incutir no grupo.

O triunfo coloca a Escócia numa posição privilegiada para discutir o apuramento aos oitavos-de-final, algo impensável há poucas semanas. A confiança está em alta, mas o calendário não dá tréguas: seguem-se duelos de altíssimo risco frente a Marrocos e, sobretudo, ao temido Brasil. Do lado haitiano, a esperança mantém-se viva. O desempenho positivo frente a um adversário europeu pode servir de trampolim para surpreender nos próximos jogos e sonhar com a qualificação.

O Mundial ganha assim mais emoção, com a Escócia a mostrar que está pronta para contrariar expectativas e o Haiti a provar que, mesmo após décadas de ausência, não veio para fazer figura de corpo presente. Tudo está em aberto no Grupo C, e os adeptos podem esperar mais noites inesquecíveis, repletas de drama, intensidade e reviravoltas.

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