FIFA enfrenta dificuldades na venda de bilhetes para estreia dos EUA

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A FIFA enfrenta um cenário inesperado e preocupante à porta do Mundial 2026: a venda de bilhetes para a estreia da seleção dos Estados Unidos está a arrastar-se a um ritmo alarmantemente lento, contrariando todas as previsões e deixando os organizadores em alerta máximo. A partida inaugural contra o Paraguai, marcada para o emblemático SoFi Stadium em Los Angeles, está longe de cativar os bilhetes que se esperava, deixando no ar dúvidas sobre o impacto dos preços exorbitantes e a resposta dos adeptos norte-americanos.

Documentos internos, vazados a 10 de abril e dirigidos aos responsáveis locais, revelam números inquietantes: apenas 40.934 bilhetes vendidos para o confronto dos EUA, enquanto o jogo entre Irão e Nova Zelândia, agendado para três dias depois no mesmo estádio, já garantiu 50.661 ingressos vendidos. O SoFi Stadium possui uma capacidade oficial de 69.650 lugares para o torneio, mas a FIFA e o comité organizador de Los Angeles mantêm silêncio total quanto à inclusão de bilhetes de hospitalidade ou outras categorias exclusivas, o que adiciona ainda mais mistério à análise dos números.

A origem do problema é clara: os preços astronómicos estão a afastar os fãs. Quando os bilhetes foram colocados à venda em outubro passado, o encontro EUA-Paraguai foi imediatamente rotulado como o terceiro jogo mais caro do Mundial, ficando apenas atrás da final e de uma meia-final. Com bilhetes de Categoria 1 a custar 2300 euros e de Categoria 2 a 1650 euros, muitos adeptos simplesmente recusam pagar valores tão proibitivos. A permanência destes bilhetes nas fases de venda subsequentes é um sinal evidente do desinteresse, ou melhor, da frustração causada pelos custos inacessíveis.

Esta situação é ainda mais estranha se compararmos com outros jogos do Mundial 2026, onde a FIFA, perante uma procura que classificou como «sem precedentes», decidiu aumentar os preços em centenas de euros para maximizar receitas. Contudo, para o jogo inaugural dos EUA, os preços mantiveram-se inalterados nas três categorias principais – um caso único entre todas as seleções anfitriãs (EUA, Canadá e México), que viram os seus bilhetes sofrer reajustes de preço significativos nos últimos seis meses.

Não é apenas a estreia dos Estados Unidos que está a ter dificuldades para atrair público. O jogo de abertura do Canadá também enfrenta uma procura morna, integrando-se num conjunto de nove partidas com larga disponibilidade de ingressos. Entre estas, destacam-se confrontos envolvendo equipas consideradas de menor expressão no panorama mundial, como Áustria, Jordânia, Argélia, Nova Zelândia, Egito, Uzbequistão, República Democrática do Congo, Arábia Saudita, Cabo Verde e Uruguai.

Apesar destes sinais preocupantes, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, mantém uma visão otimista e reafirmou recentemente que cerca de «5 milhões» dos 6,7 milhões de bilhetes totais para o Mundial já foram vendidos. Infantino explicou que a organização optou por reter uma parte dos ingressos para «dar oportunidades aos retardatários», criando uma tática de escassez aparente para fomentar a procura na fase final da venda.

Esta estratégia, contudo, pode não ser suficiente para reverter a fraca adesão à estreia da equipa anfitriã, um fator crucial para o sucesso do evento no solo norte-americano. Com o Mundial à porta, a FIFA terá de encontrar rapidamente soluções para evitar que os estádios à solta fiquem longe de estarem cheios, sob o risco de comprometer a atmosfera e o impacto do maior evento do futebol mundial. A pergunta que fica no ar é clara: será que os preços exorbitantes vão afastar os verdadeiros fãs do espetáculo ou a organização conseguirá reverter esta tendência preocupante?

Este artigo aparece primeiro em Apito Final.

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