A França voltou a esmagar a concorrência e deixou tudo e todos a questionar: será esta a selecção imbatível deste Mundial ou ainda ninguém lhe fez frente a sério? Numa noite de delírio em East Rutherford, os adeptos franceses dominaram as bancadas, mas foi em campo que os gauleses mostraram um poder ofensivo absolutamente aterrador, despachando a Suécia por 3-0 e carimbando mais um recorde histórico.
Perante mais de 83 mil espectadores no MetLife Stadium, os campeões do mundo arrancaram mais uma exibição de gala, com Kylian Mbappé a liderar o festival de golos e a deixar a defesa sueca completamente à deriva. O primeiro golo chegou aos 19 minutos, mas acabou anulado após revisão do VAR. Ainda assim, a pressão francesa não abrandou e, pouco antes do intervalo, Mbappé desbloqueou finalmente o marcador com uma jogada individual de classe mundial. Logo após o reatamento, Bradley Barcola aumentou a vantagem depois de um slalom entre os defesas suecos, e, já perto do final, Mbappé bisou, selando o resultado final e celebrando com uma elevação digna de foguete, como quem confirma que a França está noutro patamar.

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Esta vitória não surpreendeu ninguém: a França tornou-se a primeira selecção na história do Mundial a marcar três ou mais golos em cinco encontros consecutivos. No entanto, paira a dúvida sobre o real valor dos adversários até agora. Senegal, Iraque e uma Noruega completamente descaracterizada foram apenas alguns dos obstáculos já ultrapassados por Les Bleus, nenhuma das quais figura sequer no top 15 do ranking FIFA. A própria Suécia entrou para esta fase final em autêntico caos organizacional, longe dos seus melhores dias.
A questão que se impõe é: estará a França realmente a ser testada a sério neste Mundial? Ou, como pergunta o próprio seleccionador sueco, Graham Potter, estaremos todos apenas a ser iludidos pelo brilho de uma equipa que ainda não enfrentou um verdadeiro tubarão? “Sabíamos que tínhamos de ser perfeitos”, admitiu Potter após o apito final. “Mesmo que fôssemos perfeitos, talvez não chegasse. Precisávamos de um ou dois milagres.” Confrontado sobre se acredita que algum adversário possa travar esta França, Potter foi taxativo: “Claro, isto é futebol, tudo é possível, mas eu pessoalmente ainda não vi melhor equipa.”
Do lado francês, a confiança é total, mas há quem avise para os perigos do excesso de confiança. Na próxima ronda, a França vai defrontar o Paraguai, uma selecção fora do top 30 do ranking FIFA, mas que chega embalada por uma surpreendente vitória frente à Alemanha. Será este o verdadeiro teste à invencibilidade francesa, ou mais um passeio para um conjunto que parece jogar num campeonato à parte?
O impacto deste percurso avassalador já se faz sentir. Os adversários temem o poderio ofensivo dos campeões do mundo, enquanto os adeptos começam a acreditar que a França pode mesmo revalidar o título sem grandes sobressaltos. A questão, agora, é se a equipa de Didier Deschamps conseguirá manter este nível quando finalmente cruzar com um adversário do seu calibre. Para já, todas as atenções vão estar centradas no embate frente ao Paraguai, onde se espera que, finalmente, a França seja obrigada a mostrar tudo o que vale. Num Mundial onde as surpresas têm sido a ordem do dia, só um teste verdadeiro poderá dissipar todas as dúvidas: será esta França realmente imparável, ou apenas a melhor entre os mais fracos?
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