Vinícius Júnior e Matheus Cunha resgataram o orgulho brasileiro com golos decisivos, colocando um ponto final à onda de críticas e dúvidas que assombrava a selecção. Depois de uma estreia decepcionante frente a Marrocos, o Brasil voltou a mostrar o seu ADN ofensivo e derrotou o Haiti, garantindo três pontos fundamentais na luta pela qualificação para a próxima fase do Mundial.
A selecção comandada por Carlo Ancelotti entrou determinada a dissipar os fantasmas do empate inaugural. O encontro teve lugar esta quarta-feira, num estádio repleto de adeptos brasileiros expectantes, frente a uma selecção haitiana já moralmente abalada após a derrota inicial diante da Escócia. O Brasil, sexto classificado no ranking FIFA, defrontava a selecção 84.ª, naquele que foi o maior desnível de posições nesta fase de grupos. Apesar do favoritismo, os brasileiros ainda carregavam o peso de não vencerem há dois jogos consecutivos em Mundiais, algo que não acontecia desde 1978.

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A vitória sobre o Haiti tornou-se vital para acalmar as hostes e relançar a candidatura canarinha ao título. Historicamente, o Brasil nunca perdeu frente a selecções da CONCACAF em Mundiais, somando agora nove triunfos e apenas um empate em dez encontros, com apenas dois golos sofridos. Além disso, os haitianos, que já tinham sido derrotados em todos os cinco jogos realizados em fases finais, confirmaram o estatuto de primeira equipa eliminada nesta edição, aumentando para 15 os golos sofridos nesta competição.
O contexto era, por isso, de enorme pressão para o Brasil, que não podia falhar. Danilo, lateral da selecção, confessou: “Foi assustador, porque havia a expectativa de fazermos uma grande exibição”, admitiu após o empate inicial. “Quando as coisas não correm bem, não é fácil de digerir. Precisamos de encontrar equilíbrio. Estivemos desequilibrados tanto taticamente como mentalmente.” Estas palavras reflectem o clima de exigência vivido no seio da equipa, que sabia estar a um passo de igualar uma das piores sequências da sua história em Mundiais.
Os golos de Vinícius Júnior, que igualou o seu registo de seis participações em golos (três golos e três assistências) em igual número de jogos em Mundiais, e de Cunha, revelaram-se determinantes. O extremo do Real Madrid voltou a ser o farol ofensivo, mostrando por que é considerado uma das principais armas da equipa. O Haiti, por sua vez, apesar de ter sido a selecção que mais rematou nesta jornada do Grupo C (15 remates), mostrou enormes fragilidades defensivas, confirmando a tendência dos jogos de apuramento, onde apenas Bermuda e Nicarágua sofreram mais golos.
O seleccionador do Haiti, Migne, tornou-se o segundo treinador a orientar o país num Mundial, e o primeiro não-haitiano a fazê-lo. No entanto, nem mesmo o hat-trick de Duckens Nazon na fase de qualificação chegou para evitar o descalabro. Haiti iguala agora o registo negativo de outras selecções como México, El Salvador e Canadá, todas elas derrotadas nas cinco primeiras presenças em Mundiais.
Com este triunfo, o Brasil não só evitou o cenário negro de falhar a vitória nos dois primeiros jogos de um Mundial pela primeira vez em quase 50 anos, como ganhou novo fôlego para atacar a fase a eliminar. Ancelotti, que tinha sido alvo de críticas pela falta de criatividade frente a Marrocos, viu a sua equipa responder à altura e dissipar as dúvidas quanto à sua capacidade para competir ao mais alto nível. Resta agora perceber se a selecção conseguirá manter o ímpeto e corrigir os desequilíbrios, numa caminhada que se adivinha cada vez mais exigente.
O próximo desafio será decisivo para consolidar o estatuto de favorito e afastar definitivamente os fantasmas do passado recente. A pressão sobre Vinícius Júnior, Danilo e companhia mantém-se elevada, mas a confiança recuperada com esta vitória pode ser o catalisador para uma campanha bem-sucedida. O Haiti, por seu lado, despede-se do torneio sem glória, mas com a dignidade de quem, apesar das limitações, nunca deixou de lutar até ao apito final.
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