Javier Hernandez defende que Portugal ainda depende de Cristiano Ronaldo

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Cristiano Ronaldo volta a calar os críticos, aos 41 anos, com exibições decisivas ao serviço da selecção nacional, enquanto a polémica sobre o seu lugar no onze titular de Portugal atinge novo pico antes do embate com Espanha. Apesar da idade, o capitão português continua a ser o homem dos grandes momentos, acumulando desempenhos que deixam muitos adeptos e comentadores a questionar se estará mesmo na altura de passar o testemunho — mas há vozes de peso a contrariar essa ideia.

Após uma exibição brilhante frente à Croácia nos oitavos-de-final, onde foi eleito o Homem do Jogo, e uma actuação sólida contra o Uzbequistão na fase de grupos, Ronaldo provou, mais uma vez, que continua a ser decisivo quando mais importa. O debate sobre se estará a ajudar ou a prejudicar a equipa, porém, não desaparece, com uma franja de adeptos e analistas a exigir a titularidade de Gonçalo Ramos e a defender uma “passagem de testemunho” que consideram inevitável. No entanto, a lenda mexicana Javier Hernández, o maior goleador da história do México e uma referência mundial, veio a público rebater essas opiniões, defendendo que Portugal deve continuar a apostar em Ronaldo.

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“Penso que depois do primeiro jogo de Portugal, o Cristiano foi muito criticado porque não conseguiu marcar, e se era um problema, não devia ser titular”, começou por afirmar Hernández, esta semana, em declarações à Fox Sports. “Depois, no segundo jogo, criaram oportunidades. Ele teve hipóteses. Colocou a bola dentro da baliza. Tem 975 golos na sua carreira. Aos 41 anos faz aquilo, a correr quase a 30 km/h. Ainda consegue correr. Não vai correr 20 vezes assim, claro.” A comparação com Lautaro Martínez, estrela do Inter de Milão mas com papel diferente na selecção argentina, serve para sublinhar que a utilização de Ronaldo deve ser feita em função das necessidades tácticas da equipa, e não em função da idade ou da pressão mediática.

Hernández reforçou ainda que “espero que o actual meio-campo de Portugal seja capaz disso. Que percebam o jogador que têm à frente. Em vez de competirem contra ele, deviam usá-lo”. As suas palavras são um aviso claro ao plantel e ao seleccionador: ignorar a experiência, capacidade goleadora e liderança de Ronaldo pode ser um erro fatal nesta fase do Mundial. O avançado mexicano não hesita em colocar o craque português no centro do projecto, defendendo que a equipa deve ser construída em torno das suas qualidades singulares.

A discussão sobre a melhor fórmula ofensiva para Portugal ganhou novo fôlego, com muitos especialistas a sugerirem que Ronaldo e Gonçalo Ramos juntos no ataque podem ser a solução ideal. Com Rafael Leão a dar profundidade e velocidade nas alas e Francisco Conceição a garantir imprevisibilidade com o seu drible, a selecção nacional possui argumentos para surpreender qualquer adversário. Bruno Fernandes, com a sua visão de jogo e capacidade de remate, e Vitinha, no papel de organizador, completam um meio-campo de luxo capaz de alimentar o ataque e garantir o equilíbrio defensivo.

O próximo encontro com Espanha será o verdadeiro teste à capacidade da equipa portuguesa de tirar o melhor partido do seu plantel de estrelas. Se Roberto Martínez conseguir encontrar o equilíbrio certo e potenciar o que Ronaldo ainda tem para dar, Portugal pode sonhar alto e continuar a alimentar o sonho do segundo título mundial. A pressão está no máximo, mas a expectativa de ver Ronaldo a silenciar, uma vez mais, os críticos, mantém o país em suspense. O futuro imediato da selecção joga-se já no próximo duelo, onde a resposta à velha questão — Ronaldo é indispensável ou um entrave? — poderá finalmente ser dada em campo.

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