Javier Tebas, presidente da LaLiga, lançou críticas contundentes a Gianni Infantino, afirmando que o tempo do líder da FIFA “já passou há muito”, acusando-o de “destruir a própria essência” do futebol. Esta declaração surge numa altura em que a pressão sobre Infantino aumenta, especialmente após o abandono das suas propostas de investimento privado em competições da FIFA, incluindo a Copa do Mundo.
Infantino enfrenta um crescente escrutínio depois de ter desistido dos planos para criar uma subsidiária comercial que permitiria a investidores privados adquirir participações nas competições da FIFA. Esta semana, o presidente da FIFA pediu desculpas às associações-membro pelo manuseio da proposta, mas a reação negativa intensificou-se, com a UEFA, a Associação de Futebol e vários outros órgãos de governança a exigirem a sua demissão.
Em entrevista ao jornal francês Le Monde, Tebas não hesitou em afirmar que a liderança de Infantino já não é benéfica para o futebol. “Para mim, o tempo de Gianni Infantino já passou há muito”, disse. “Não o digo apenas por causa dos eventos recentes. Tenho notado este estilo de gestão há longo tempo, embora todos os outros pareçam estar a descobri-lo apenas agora.” O presidente da LaLiga sublinhou que Infantino não contribui para o crescimento do futebol, afirmando que “os seus projetos estão a destruir a própria essência do desporto: as ligas nacionais”. Ele concluiu: “O futebol não se limita à elite. Para mim, a era Infantino acabou.”
Tebas também insistiu que a simples substituição de Infantino não será suficiente, defendendo a necessidade de uma reforma abrangente na FIFA. “O que resta saber é quando isso irá entrar em vigor e como será a sucessão”, acrescentou. “Espero que não se trate apenas de trocar algumas pessoas por outras, mas de uma verdadeira reestruturação.”
A semana turbulenta de Infantino continua, com a UEFA a confirmar que foi feita uma compensação a uma antiga funcionária que alegadamente teve um relacionamento com ele durante o seu tempo como secretário-geral da UEFA, uma acusação que Infantino nega. Apesar do abandono dos planos de investimento, a UEFA mantém a sua ameaça de boicotar futuras Copas do Mundo se propostas semelhantes forem retomadas.
Tebas acredita que a controvérsia é um sintoma de problemas mais amplos de governança dentro do futebol. “O que está a acontecer não me surpreende”, afirmou. “O que me surpreende é a reação de muitas pessoas que permaneceram em silêncio durante anos. Este episódio é apenas a ponta do iceberg do que tem vindo a acontecer dentro de uma instituição, a FIFA, mas também mais amplamente no futebol, onde não existem políticas de governança reais.” Ele advertiu que “o problema não se limita a uma pessoa; trata-se de todo um sistema”, e expressou a esperança de que “as coisas mudem verdadeiramente, que um novo líder chegue e que uma nova governança seja estabelecida na FIFA.”
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