Jiménez emociona ao selar vitória do México frente à áfrica do sul

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Raúl Jiménez emocionou o Estadio Azteca ao marcar o seu primeiro golo em fases finais de Mundiais, protagonizando o momento mais comovente na vitória de 2-0 do México sobre a África do Sul, na abertura do Campeonato do Mundo de 2026. Numa noite histórica, perante 80 mil adeptos em delírio, o avançado mexicano coroou uma estreia de sonho como titular em Mundiais aos 35 anos, meses depois de perder o pai e quase quatro anos após o gravíssimo traumatismo craniano sofrido em Inglaterra que ameaçou terminar-lhe a carreira.

O México entrou a todo o gás nesta edição alargada do Mundial, garantindo um triunfo seguro sobre uma África do Sul completamente ineficaz e reduzida a nove jogadores ainda antes do apito final. Julián Quiñones, melhor marcador da Saudi Pro League em 2025/26, inaugurou o marcador logo aos nove minutos, aproveitando um erro crasso de Yaya Sithole, num golo que dissipou de imediato a pressão sentida pelos anfitriões. A formação africana, já com um registo histórico pobre em fases finais, ficou em clara desvantagem e nunca conseguiu reagir. O jogo ficou praticamente sentenciado quando Sithole foi expulso pouco depois do intervalo por travar Brian Gutiérrez, permitindo a Jiménez aumentar para 2-0. A situação agravou-se ainda mais para os sul-africanos quando Themba Zwane viu vermelho, após intervenção do VAR, por conduta violenta. César Montes, capitão do México, também foi expulso nos minutos finais, elevando para três o número de cartões vermelhos neste encontro de estreia, um registo surpreendente para um jogo sem grande animosidade.

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Esta vitória coloca o México com um pé nos oitavos-de-final, bastando-lhe conquistar mais um ponto nos próximos dois jogos do Grupo A, frente à Coreia do Sul e à Chéquia, para garantir a passagem à fase seguinte pela oitava vez nas últimas nove presenças em Mundiais. Após a desilusão da eliminação precoce em 2022, o “El Tri” mostra argumentos sólidos para regressar ao habitual estatuto de presença consistente nos knockouts, num torneio que, pela terceira vez na história, tem o México como anfitrião — um feito nunca antes alcançado por qualquer outra nação.

O contexto não poderia ser mais favorável para os mexicanos. A África do Sul chegou a este Mundial sem vencer há cinco jogos, sem conseguir marcar dois golos num só encontro e sem grande preparação frente a adversários fora do continente africano. A escolha dos adversários favoreceu claramente o México, que aproveitou todas as fragilidades de Bafana Bafana para arrancar com estrondo. Ronwen Williams, guarda-redes sul-africano, ainda evitou males maiores na primeira parte, mas o descalabro era inevitável à medida que os erros e as expulsões se acumulavam.

No final do jogo, Raúl Jiménez não escondeu a emoção: “Este golo significa tudo para mim. Depois de tudo o que passei, das lesões, da perda do meu pai, só posso agradecer a todos os que acreditaram em mim. Marcar neste palco, com esta camisola, é indescritível”, afirmou o avançado, visivelmente comovido, na zona mista. Jiménez igualou Jared Borgetti como segundo melhor marcador da história da selecção, somando agora 46 golos em 127 internacionalizações — um feito ainda mais impressionante tendo em conta que, até hoje, nunca tinha sido titular num Mundial.

O seleccionador mexicano, também ele rendido à exibição da equipa e ao momento de Jiménez, realçou a importância do triunfo: “Era fundamental entrar a vencer, sobretudo num grupo que se pode complicar. A atitude dos jogadores foi exemplar e o Raúl merece tudo o que está a viver. Não há palavras para o seu percurso”, sublinhou na conferência pós-jogo.

Com esta entrada demolidora, o México assume-se como forte candidato a liderar o grupo e a garantir um caminho menos espinhoso nos oitavos-de-final. Os próximos desafios, frente a sul-coreanos e checos, serão seguramente mais exigentes, mas a confiança está em alta. Para a África do Sul, a história parece pronta a repetir-se, com nova eliminação precoce a ganhar forma.

A vitória, o recorde de três expulsões e o momento de superação de Raúl Jiménez tornam este arranque do Mundial inesquecível para os anfitriões, lançando o México para uma campanha que promete ser de afirmação no palco maior do futebol mundial. Tudo indica que o Estadio Azteca poderá voltar a ser palco de grandes noites para os mexicanos, que sonham, uma vez mais, em superar os seus próprios limites na prova-rainha.

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