O adeus a Lionel Messi coloca a Argentina perante um desafio impossível: como substituir o génio que definiu uma era dourada no futebol do país? Após a derrota na final do Mundial de 2026, a Seleção Argentina vê-se numa encruzilhada que poderá marcar o fim de duas épocas memoráveis, ambas ligadas a um nome que transcende gerações.
No dia 19 de julho de 2026, em Nova Jérsia, Argentina perdeu a final do Mundial para Espanha, com Lionel Messi a protagonizar o último capítulo da sua carreira internacional. Com 39 anos, o capitão argentino não confirmou oficialmente a sua retirada, mas as palavras do treinador Lionel Scaloni deixaram dúvidas no ar. Scaloni, visivelmente emocionado na conferência de imprensa pós-jogo, afirmou: “É realmente doloroso. Sinto muito.” E acrescentou, quanto ao seu futuro: “Mais ou menos tenho uma ideia do que quero fazer. Vou cumprir o meu contrato e depois veremos. Sinto necessidade de pensar porque não sei se seremos capazes de fazer algo tão grandioso como isto.”

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Scaloni foi uma peça chave na transformação da Argentina, conduzindo a equipa à conquista da Copa América após 28 anos e ao título mundial 36 anos depois, ambos com Messi como figura central. “Ele tem 39 anos. Para mim estava claro que ia jogar até decidir não o fazer,” comentou o treinador sobre o capitão, cujo legado inclui seis Mundiais, 34 jogos, 12 assistências e 21 golos, números que definem um recorde e uma era.
Contudo, a dependência de Messi ficou evidenciada no encontro contra Espanha, onde a equipa só registou um remate à baliza em 120 minutos, demonstrando a dificuldade em criar oportunidades sem o génio do seu líder. Scaloni sublinhou ainda o enorme desafio de “reiniciar, criar um grupo como este de novo, que é muito difícil,” reconhecendo a complexidade de substituir um jogador com o impacto de Messi.
A equipa argentina, envelhecida e repleta de figuras que dificilmente estarão em competição em 2030, enfrenta agora a difícil tarefa de se reinventar. Jogadores como Nicolás Otamendi, Nicolás Tagliafico, Rodrigo de Paul e Leandro Paredes serão provavelmente ausências no próximo ciclo, enquanto Lautaro Martínez, Lisandro Martínez, Alexis Mac Allister e Cristian Romero entrarão na casa dos trinta anos. A questão que se impõe é se talentos emergentes como Julián Álvarez e Lautaro Martínez conseguirão prosperar como dupla atacante sem a sombra de Messi.
Além disso, a Seleção carece de alas explosivos e criativos, como Lamine Yamal e Nico Williams, que animem o jogo pelas laterais, ou de laterais e médios defensivos do calibre de Javier Zanetti, Juan Pablo Sorin ou Javier Mascherano, que marcaram épocas anteriores. A mística do mítico número 10 argentino, que Messi herdou de Diego Maradona, continuará a pesar nas expectativas sobre o próximo dono da camisola.
Ao olhar para 2030, o Mundial poderá ser o primeiro sem Messi desde 2002, época em que a Argentina foi eliminada na fase de grupos. Scaloni adotou uma abordagem diferente da de Marcelo Bielsa há quase três décadas, mas a saída do duplo “Lionel” pode assinalar o fim de uma era única na história do futebol argentino. O país está agora perante a enigmática questão: como construir o futuro sem o seu maior ícone?
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