Harry Maguire foi apanhado de surpresa e não esconde a frustração: o defesa-central do Manchester United ficou fora da convocatória dos 26 escolhidos por Thomas Tuchel para representar Inglaterra no Campeonato do Mundo, em mais uma decisão técnica que está a causar ondas de choque no futebol inglês. Maguire confidenciou detalhes de uma chamada “desconfortável” e “única” recebida de Tuchel, revelando as emoções cruas perante o afastamento inesperado da selecção, numa altura em que também nomes como Phil Foden, Cole Palmer e Lewis Hall foram deixados de fora.
O episódio ocorreu após Tuchel, seleccionador inglês, ter optado por não incluir Maguire na lista final para o Mundial, apesar do defesa ter terminado a época em alta no Manchester United e de ter correspondido positivamente nos recentes compromissos internacionais. O futebolista de 33 anos, visivelmente devastado, recorreu às redes sociais para expressar o seu choque: “Estou chocado e destroçado com a decisão”, escreveu, admitindo que agora terá de assistir à campanha inglesa a partir de casa.

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O contexto não podia ser mais relevante para a selecção inglesa, que se prepara para iniciar a sua caminhada no Mundial frente à Croácia, no Dallas Stadium, antes de defrontar o Gana e o Panamá nos restantes jogos do Grupo L. A ausência de Maguire levanta sérias dúvidas sobre a solidez defensiva da equipa de Tuchel, sobretudo tendo em conta a sua experiência e liderança dentro e fora de campo. Ainda mais surpreendente é a exclusão de outros talentos como Foden e Palmer, numa clara mensagem de renovação ou, para muitos adeptos, um risco que pode custar caro à Inglaterra.
Em entrevista ao podcast de Gary Lineker, “Rest is Football World Cup”, Maguire descreveu em detalhe o momento em que recebeu a notícia da sua exclusão: “Ele fez uma videochamada a todos. Foi uma chamada bastante desconfortável”, revelou. Maguire acrescentou: “Recebi uma mensagem a dizer se podia falar com ele por volta das 16h. É uma forma bastante única de o fazer e deve ser complicado, porque consegue ver as reacções de toda a gente. Disse logo que estava mesmo desiludido. Achei que fiz o suficiente para estar na convocatória e pensei que podia ajudar e ter um papel a desempenhar dentro e fora do campo”. O central inglês revelou ainda a justificação dada por Tuchel: “Ele disse que não me podia dar uma desculpa, mas optou pelos quatro jogadores que o ajudaram durante o outono. Foi difícil de aceitar. Pensei mesmo que estaria na convocatória depois de ter sido chamado para o estágio de Março e ter-me saído bastante bem nos dois jogos. Depois regressei ao Manchester United e terminei a época em grande forma”.
Apesar do duro golpe, Maguire não mostra sinais de baixar os braços em relação ao futuro na selecção. O defesa garantiu que não pensa em retirar-se da equipa das Quinas, mesmo sabendo que estará próximo dos 35 anos na próxima edição do Europeu: “Não penso que me vá retirar da Inglaterra. Sinto que ainda tenho algo para dar. Vai chegar o momento em que não merecerei ser convocado, mas provavelmente nem assim anunciaria a retirada. Se conseguir mais uma internacionalização já valeria a pena”, afirmou, mostrando ambição e espírito de sacrifício.
A decisão de Tuchel poderá ter repercussões profundas na campanha inglesa. Sem Maguire, a equipa perde um homem de confiança, com experiência em grandes palcos e habituado à pressão dos jogos decisivos. Resta saber se os quatro escolhidos pelo seleccionador vão conseguir garantir a estabilidade defensiva necessária para chegar longe na competição. Para Maguire, o objectivo passa agora por manter-se em topo de forma no Manchester United e provar, dentro de campo, que continua a ser uma opção válida para futuras convocatórias.
Os próximos encontros da Inglaterra serão decisivos para avaliar o impacto destas escolhas controversas. Uma defesa menos experiente pode tornar-se o calcanhar de Aquiles de uma equipa que ambiciona conquistar o troféu, e qualquer deslize será certamente escrutinado pelos adeptos e pela crítica. Maguire, por sua vez, mantém-se de olhos postos no futuro da selecção e promete lutar até ao fim por um regresso, mostrando que, apesar do afastamento, o orgulho em vestir a camisola inglesa permanece intacto.
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