Sexta-feira, Fevereiro 20, 2026

Mais jogos não significam melhor futebol: Entenda a polémica em torno das competições

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À medida que a temporada se aproxima do seu clímax, os jogos multiplicam-se a um ritmo frenético, especialmente para os clubes da Premier League que ainda estão a competir na Europa. Porém, essa intensificação do calendário levanta sérias questões sobre o bem-estar dos jogadores e a sustentabilidade do desporto. A pergunta que permanece é: será que mais jogos realmente contribuem para o desenvolvimento do futebol ou, pelo contrário, estão a comprometer a qualidade do jogo?

Com as equipas a enfrentarem deslocações extenuantes e as exigências físicas de tantas partidas consecutivas, os gestores estão em constante luta para garantir que os seus jogadores possam manter um nível de desempenho elevado, ao mesmo tempo que minimizam o risco de lesões. A longa viagem do Newcastle a Baku, por exemplo, que totaliza impressionantes 2.529 milhas, marca um recorde na Champions League para um clube inglês. Esta travessia não só consome tempo, como também afeta a energia da equipa, especialmente quando se considera o desafio adicional de um jogo fora de casa contra o Manchester City logo a seguir.

Esta situação não é nova para muitos clubes. Um ex-jogador, que preferiu permanecer anónimo, lembrou-se de como lidou com estas dificuldades enquanto jogava no Stoke durante a Europa League, onde as viagens longas a destinos como Israel e Turquia eram a norma. Ele comentou: “Tentámos várias abordagens para facilitar a recuperação. Às vezes, regressávamos diretamente após os jogos, outras vezes ficávamos a noite e permitíamos que a equipa médica realizasse sessões de recuperação leve de manhã. Era um equilíbrio complicado.” Esta luta constante para encontrar uma solução viável é um desafio que muitos clubes enfrentam, e poucos parecem ter encontrado a resposta para este dilema.

Na era moderna, a quantidade de investimento nas várias áreas dos clubes da Premier League, especialmente nas ciências do desporto e na medicina, aumentou exponencialmente. Os jogadores são agora monitorizados com uma quantidade de dados sem precedentes, e são tratados com um cuidado que antes não existia. Diferentemente das décadas de 70 e 80, onde injeções e medicamentos para a dor eram comuns para manter os jogadores em campo, a abordagem atual é muito mais focada na saúde e bem-estar do atleta.

Apesar dos avanços significativos, a persistência de lesões musculares continua a ser uma preocupação. O ex-jogador destacou a importância de um plano de pré-temporada robusto: “O meu enfoque era sempre evitar lesões como as de músculos – as lesões articulares são inevitáveis em desafios competitivos, mas as questões musculares podiam ser controladas.” Através de um regime rigoroso de treino de resistência inicial, seguido de exercícios de ativação e alongamentos, ele conseguiu minimizar as lesões na sua equipa.

“Era essencial que toda a equipa médica estivesse alinhada e que compreendesse a importância de preparar os jogadores de forma adequada,” disse ele. “Com um bom suporte e um plano bem definido, conseguimos manter os jogadores em forma e prontos para a competição.” Contudo, mesmo com todos os avanços, a gestão do calendário de jogos e a recuperação dos atletas continuam a ser uma questão crítica que precisa de uma solução urgente.

À medida que o desporto evolui, o debate sobre o equilíbrio entre o aumento da quantidade de jogos e a manutenção da qualidade do futebol só tende a intensificar-se. Os clubes devem encontrar formas de proteger os seus jogadores e garantir que o espetáculo que oferecem ao público não seja comprometido pela excessiva carga de trabalho. A saúde e a segurança dos jogadores devem ser sempre a prioridade máxima, para que o desporto que todos amamos continue a prosperar.

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