A França chega aos oitavos-de-final com uma avalanche ofensiva que tem deixado a Europa em alerta máximo, depois de arrasar os adversários na fase de grupos e afirmar-se como uma das equipas mais temíveis deste Europeu. Kylian Mbappé está imparável, Ousmane Dembélé voltou a mostrar que pode decidir jogos sozinho e Didier Deschamps regressa ao banco precisamente no momento em que os gauleses entram na fase a eliminar, onde historicamente se transformam numa máquina de marcar golos.
Os franceses conquistaram o primeiro lugar do Grupo I graças a uma exibição ofensiva de luxo, somando 10 golos marcados e apenas 2 sofridos em três jogos. Mbappé bisou tanto na estreia como no segundo jogo, enquanto Dembélé assinou um hat-trick na vitória por 4-1 frente à Noruega, já com o apuramento garantido e um plantel parcialmente rodado. Este poder de fogo coloca a França como clara favorita frente à Suécia no confronto dos oitavos-de-final, marcado para o início da noite de terça-feira em East Rutherford, Nova Jérsia.

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O contexto não podia ser mais favorável para os Bleus: além do regresso de Deschamps ao comando técnico, após ter falhado o último jogo devido ao falecimento da mãe, a França apresenta-se como uma das equipas mais eficazes dos últimos grandes torneios. Em 2018, superou os adversários na fase a eliminar por uns impressionantes 11-5 rumo ao segundo título mundial. Já em 2022, voltou a mostrar-se letal, com um registo de 10-5, apenas travado por uma Argentina inspirada nas grandes penalidades após um inesquecível empate a três bolas na final. O ADN ofensivo da França parece crescer nos momentos decisivos, contrariando a tendência conservadora habitual nas fases a eliminar.
Didier Deschamps, questionado sobre se é possível manter este estilo de jogo arrojado, não deixou margem para dúvidas na antevisão ao encontro: “Algumas pessoas perguntavam, ‘Podemos jogar assim?’ Mas já o fizemos há quatro anos, com outros jogadores, mas com um sistema semelhante. Outras equipas também o fazem. Quando temos a bola, não há problema. Quando não temos, temos de ser eficientes. Mas temos capacidade para criar perigo e ferir o adversário. Isso é uma força, e quero que mantenhamos essa força”, afirmou o selecionador francês, sublinhando a confiança total no modelo ofensivo.
Do outro lado, a Suécia chega a estes oitavos-de-final num registo bem mais atribulado. Começou o torneio com uma vitória expressiva por 5-1 frente à Tunísia, mas foi goleada pela Holanda pelo mesmo resultado na jornada seguinte, ficando obrigada a reagir diante do Japão. O empate a uma bola garantiu a passagem, mas deixou marcas, sobretudo com a lesão muscular de Isak Hien, que falha o resto da competição. Graham Potter, o técnico sueco, admite que a derrota pesada frente aos neerlandeses pode ser uma lição valiosa: “Passámos por um grupo difícil. Acho que o jogo com a Holanda será uma referência importante para percebermos onde podemos crescer com essa experiência. Vamos precisar disso. Penso que teremos de fazer o melhor jogo das nossas vidas para vencer a França. Mas isso é emocionante. É futebol. É para isso que cá estamos”, afirmou Potter, consciente do desafio titânico que tem pela frente.
A ausência de Hien obriga Potter a ponderar reposicionar o capitão Victor Lindelöf no eixo da defesa, recuando-o da posição de médio-centro para central, numa tentativa de reforçar a solidez defensiva perante a artilharia pesada francesa. “Quando se atinge esta fase da carreira, com a experiência e qualidade que ele tem, trata-se de perceber como pode ajudar melhor a equipa, sempre de acordo com o que ele sentir confortável. É bom ter este tipo de recurso”, explicou o treinador sueco, demonstrando total confiança no capitão para liderar a linha defensiva sob pressão intensa.
O impacto deste duelo é enorme: a França, se mantiver o ritmo avassalador, confirma-se como principal candidata ao troféu e aumenta a pressão sobre as restantes selecções de topo. Para a Suécia, o desafio é sobreviver à tempestade e tentar surpreender, apostando tudo na disciplina táctica e numa abordagem pragmática. O próximo passo para os franceses pode ser um embate ainda mais exigente nos quartos-de-final, onde cada detalhe fará a diferença. Já os suecos sabem que só uma exibição perfeita lhes permitirá contrariar o favoritismo gaulês. A expectativa está ao rubro e todos os olhos vão estar postos em East Rutherford para perceber se a máquina de golos francesa continua imparável ou se a Suécia será capaz de travar o ímpeto de Mbappé e companhia.
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