Mohamed Salah despediu-se em lágrimas do Liverpool neste domingo, encerrando uma era brilhante no clube de Anfield. Na última jornada da temporada 2025-26, o egípcio, que anunciou em março a sua saída antecipada, jogou o seu derradeiro encontro com a camisola vermelha, numa partida carregada de emoção e simbolismo.
Desde que comunicou que não renovaria contrato, Salah viveu uma contagem decrescente para os “últimos” momentos em Liverpool, com este duelo frente ao Brentford a ser o grande palco do adeus. Apesar de uma relação tensa com o treinador Arne Slot, o avançado foi titular, tal como Andy Robertson, que também teve direito a uma despedida digna antes de deixar o Merseyside.
A noite foi, acima de tudo, de Salah. O craque egípcio não quis deixar passar em branco, mostrando flashes do seu talento único, ainda que o empate 1-1 tenha impedido um desfecho perfeito e triunfante para a sua lenda no clube.
No arranque do jogo, Salah posicionou-se no seu habitual lado direito do ataque e logo tentou marcar presença com passes refinados e cruzamentos de qualidade. Contudo, a tarefa não foi fácil. Keane Lewis-Potter, lateral-esquerdo do Brentford, marcou-o com rigor, anulando a velocidade e fluidez do egípcio. Durante os primeiros 15 minutos, Salah não conseguiu superar o adversário em nenhuma disputa e viu-se forçado a decisões precipitadas, que resultaram em cruzamentos imprecisos e toques errados.
Parecia que o icónico número 11 poderia ter uma atuação apática, semelhante a algumas exibições menos inspiradas que teve ao longo da época. Mas, aos 19 minutos, tudo mudou. Após uma conversa intensa com Dominik Szoboszlai, Salah assumiu a responsabilidade num livre perigoso à entrada da área. O seu remate com o pé esquerdo curvou-se perigosamente e embateu no poste, com o guarda-redes Caoimhín Kelleher apenas a conseguir observar impotente o desvio da bola.
O estádio de Anfield gemeu, mas aquele lance pareceu infundir uma nova vida em Salah. Pouco depois, conseguiu finalmente desmarcar-se de Lewis-Potter, invadiu a área e rematou com perigo, obrigando Kelleher a uma defesa apertada. O egípcio crescia no jogo e passou a pedir a bola com insistência a Szoboszlai, que lhe respondeu com um passe em profundidade magnífico. Infelizmente, o primeiro toque de Salah falhou, permitindo a defesa contrária apagar o perigo.
O extremo passou o resto da primeira parte a ser o epicentro das investidas do Liverpool, protagonizando uma arrancada prometedora perto do intervalo. Após um lançamento longo de Robertson, Salah recebeu em progressão e, cercado por dois adversários, controlou e rodou para rematar, mas perdeu a bola para Lewis-Potter, que limpou a jogada apesar dos apelos ao penálti vindos das bancadas.
O segundo tempo trouxe o momento de glória que Salah merecia. Aos 52 minutos, forçou uma defesa importante a Kelleher e, pouco depois, transformou-se em assistente. Um passe milimétrico de Ryan Gravenberch lançou Salah em velocidade pela direita, com espaço para acelerar. Entrando na área, viu o companheiro Jones a aproximar-se e serviu-o com um toque sublime de trivela, que permitiu o golo do 1-0 para o Liverpool.
Desde o tiro ao poste até à assistência magistral, Salah mostrou porque é uma lenda viva do clube. O seu desempenho, apesar das dificuldades iniciais, terminou por ser um tributo digno a uma carreira incomparável em Anfield – marcada por golos, magia e momentos inesquecíveis.
Mohamed Salah, aos 33 anos, deixa o Liverpool não só como um dos maiores goleadores da história do clube, mas também como um símbolo de talento, paixão e dedicação que ficará para sempre nos corações dos adeptos. O adeus foi agridoce, mas o legado é inquestionável e imortal. O rei do Anfield despede-se, mas a sua lenda continuará a inspirar gerações.
Este artigo aparece primeiro em Apito Final.
