O futebol, um dos desportos mais amados do mundo, parece ter perdido um pouco da sua magia ao longo dos anos, e muitos fãs estão a questionar se os dias dourados do passado não foram, de facto, os melhores. Uma análise recente sobre a evolução do futebol revela uma discrepância alarmante entre a realidade dos campos e a forma como o desporto é promovido atualmente. O autor, que tem uma longa experiência a observar o jogo, não hesita em traçar um retrato contundente do que considera ser a decadência do espectáculo.
“O futebol era uma fuga, uma forma de entretenimento, um espectáculo de habilidade e talento… agora parece que é trabalho”, afirma uma voz dissonante no meio da maré de marketing que envolve o desporto. Esta declaração, vinda de um fã desiludido, ressoa com muitos que se sentem cada vez mais afastados da essência do jogo. Nas últimas três décadas, o futebol foi elevado a um estatuto quase mitológico, mas a verdade é que a realidade nos estádios muitas vezes é bem diferente do que é apresentado nas publicidades.
É inegável que a nostalgia por décadas passadas, como os anos 90, é sedutora. Era uma época em que jogadores como Paul Gascoigne, Eric Cantona e Georgi Kinkladze brilhavam em campo, proporcionando momentos de pura magia que hoje parecem escassos. “Os jogadores de hoje são muito menos excitantes ou são limitados pela estrutura dos clubes, que se tornaram viciados na segurança de uma nota 7 em vez de um 4 ou um 9”, observa o autor. Um exemplo disso é Declan Rice, que, por mais talentoso que seja, não consegue igualar o impacto de um Bryan Robson, que era um verdadeiro fenómeno em campo.
Mas o que realmente mudou? A resposta é complexa, mas uma das principais razões para a insatisfação generalizada é o aumento exorbitante dos preços dos bilhetes e dos direitos televisivos. A experiência de assistir a um jogo tornou-se uma carga financeira, levando os fãs a questionarem se realmente vale a pena pagar por um espectáculo que, muitas vezes, apresenta um futebol aborrecido e previsível. “Se o jogo era mau, não me sentia tão mal por ter pago 50 pence para ver, mas agora gastamos somas exorbitantes para vermos jogadores que ganham mais em uma semana do que muitos ganham em anos”, lamenta o autor.
A violência no futebol também teve um impacto significativo na percepção do desporto. Nos anos 80, as cenas de violência alienaram muitos adeptos, mas foi nos anos 90 que o equilíbrio entre a qualidade de jogo e acessibilidade começou a surgir. A introdução da regra do passe para trás e a presença de estrelas internacionais trouxeram uma nova dinâmica ao jogo. Contudo, mesmo nesse período, a disparidade salarial já era impressionante, com jogadores como Alen Boksic a receber salários que faziam os adeptos questionarem a moralidade do futebol.
A crítica vai além da nostalgia; trata-se de um apelo à transparência e à autenticidade. Os adeptos devem confiar nos seus instintos e nos seus olhos, reconhecendo que, apesar da propaganda que glorifica o presente, a verdade é que muitos sentem que o futebol de hoje é muito menos emocionante. A experiência de estar no estádio é frequentemente marcada por um descontentamento que não existia nas décadas anteriores.
O autor conclui que, apesar de não se querer romantizar o passado, é importante reconhecer que o futebol, tal como o conhecemos, passou por uma transformação que nem sempre foi positiva. “Não devemos ter medo de dizer que sim, o futebol era melhor antes”, afirma, instando os fãs a defenderem o que acreditam ser verdade. O apelo à honestidade e à redescoberta da essência do jogo é um grito que muitos estão prontos a ouvir. O futebol, afinal, deveria ser uma celebração, não uma obrigação.
