No coração da controvérsia, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, expressou nas últimas horas uma confiança surpreendente na realização da Copa do Mundo no México, apesar da onda de violência que abalou o país. Em declarações feitas em Barranquilla, na Colômbia, Infantino afirmou estar “muito reassured” com a situação, prometendo que o evento será “espetacular”. Estas palavras soaram como um eco de otimismo em meio a um mar de incertezas, assim que o México se prepara para receber jogos de um dos maiores torneios de futebol do mundo, programado para ocorrer entre 11 de junho e 19 de julho.
A segurança tornou-se uma preocupação premente após o assassinato de Nemesio “El Mencho” Oseguera, líder do poderoso Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), que resultou em confrontos violentos em Guadalajara, entre outros locais. A situação tornou-se tão crítica que pelo menos 74 pessoas perderam a vida durante a operação militar que visava capturá-lo, com as forças de segurança enfrentando resistência feroz de membros do cartel. “Parece que estamos em uma zona de guerra,” desabafou Javier Perez, um engenheiro de 41 anos, enquanto observava os estragos em Puerto Vallarta, um destino turístico que ficou em meio ao caos.
As imagens de destruição e pânico foram transmitidas globalmente, deixando muitos a se perguntarem se o México está realmente preparado para receber torcedores de todo o mundo. Enquanto isso, a FIFA manteve-se em silêncio sobre a situação, mesmo com Infantino tentando passar uma mensagem de tranquilidade. No entanto, a Federação Portuguesa de Futebol não compartilha do mesmo otimismo. Em uma declaração cautelosa, a federação afirmou estar “monitorando de perto a delicada situação” no país, enfatizando que a segurança de jogadores, treinadores e torcedores é a prioridade máxima.
Javier Aguirre, o treinador da seleção mexicana, foi mais positivo, garantindo que “tudo está a andar conforme o planejado”. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, tentou acalmar os ânimos, garantindo que não há risco para os fãs da Copa do Mundo e que a situação está “gradualmente voltando ao normal”. A cidade de Guadalajara, que sediará quatro partidas da fase de grupos, incluindo um dos confrontos mais esperados entre Uruguai e Espanha, permanece no centro das atenções.
O governador de Jalisco, Pablo Lemus, também descartou qualquer possibilidade de que Guadalajara fosse excluída do torneio, assegurando que não há “absolutamente nenhum risco” de mudanças no cronograma. Contudo, a tensão ainda é palpável, especialmente com um amistoso entre o México e a Islândia agendado para esta quarta-feira, em Querétaro, onde um jogo da primeira divisão teve que ser suspenso devido à violência.
Com Oseguera sendo um dos homens mais procurados, com uma recompensa de 15 milhões de dólares sobre sua cabeça, a situação no México continua a ser instável. A captura do líder do CJNG foi realizada com a ajuda de informações complementares de autoridades dos EUA, embora o governo mexicano tenha enfatizado que nenhuma força americana participou da operação.
Enquanto a violência continua a reverberar em todo o país, o impacto econômico já é sentido. A Honda, gigante japonesa da indústria automotiva, anunciou a suspensão temporária das operações em sua planta de Guadalajara, citando preocupações de segurança. Com várias montadoras operando no México, a estabilidade do país é crucial não apenas para o sucesso da Copa do Mundo, mas também para a economia nacional.
À medida que o torneio se aproxima, todos os olhos estarão voltados para o México, aguardando para ver se a promessa de um evento esportivo memorável pode realmente se concretizar em meio a sombras de incerteza e violência.
