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INTERNACIONAL · 5 min de leitura

Rúben Amorim e AC Milan procuram novo recomeço após desafios recentes

Rúben Amorim e AC Milan procuram novo recomeço após desafios recentes

Rúben Amorim e o AC Milan uniram-se num capítulo que promete virar o rumo de ambos, numa parceria onde a necessidade é mútua e a ambição é máxima. Após um ano turbulento, com despedimentos e estratégias falhadas, o clube italiano apostou no treinador português para restaurar a identidade e o prestígio do histórico emblema milanês.

O AC Milan, sob a liderança de Massimiliano Allegri, falhou a qualificação para a Liga dos Campeões e não conquistou qualquer troféu nacional na última época, o que precipitou a saída do técnico italiano. Rúben Amorim, por seu lado, viu o seu percurso no Manchester United terminar abruptamente em janeiro de 2026, após resultados dececionantes, divergências tácticas e conflitos com a direção do clube inglês. O português aceitou o desafio proposto pelo Milan para um contrato de dois anos, com o objetivo de devolver a equipa ao topo do futebol italiano e europeu.

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Na apresentação oficial, Amorim destacou a responsabilidade e o fascínio de treinar um clube com uma história tão grandiosa: “Sinto um grande prazer e responsabilidade por estar aqui. Procurei um desafio assim. Sempre admirei as equipas de Sacchi, Capello e Ancelotti, e tenho muitas memórias dos antigos AC Milan. A história do clube é fenomenal. Já sinto isto como minha casa. Desde a primeira conversa percebi que este era o lugar certo para mim, em termos de valores. Acredito no projeto.”

O AC Milan tinha alinhado a sua estratégia no último mercado de transferências com o estilo pragmático de Allegri, que privilegiava uma estrutura defensiva muito organizada e um ataque controlado. No entanto, a equipa não conseguiu impor-se como candidata a um dos dois primeiros lugares da Serie A, mesmo após a contratação de Niklas Füllkrug por empréstimo. A utilização frequente do sistema 3-5-2, com combinações ofensivas pouco eficazes, resultou numa época frustrante que culminou com a derrota frente ao Cagliari no último jogo, afastando o Milan da Champions.

No Manchester United, Amorim tentou implementar o seu futebol fluido e organizado, herança do Sporting, mas o processo de reconstrução do plantel foi atribulado. A equipa terminou a Premier League em 15.º lugar, falhou a Champions e perdeu a final da Liga Europa. As mudanças tácticas e a pressão para abandonar o seu sistema preferido 3-4-2-1 criaram tensões que culminaram na sua saída.

No Milan, a tarefa de Amorim começa por consolidar a baliza, com Mike Maignan como titular indiscutível, apoiado pelos guarda-redes Pietro Terracciano e Lorenzo Torriani. A defesa, com sistema de três centrais, mantém algumas bases do passado, mas Amorim pretende um estilo mais agressivo e dinâmico, com os centrais-laterais a avançarem com bola. Fikayo Tomori surge como escolha natural para o centro-direita, com Mario Gila Fuentes e Strahinja Pavlović a completarem o trio defensivo.

Os laterais ofensivos, fundamentais no estilo de jogo de Amorim, deverão ser Alexis Saelemaekers na direita e Pervis Estupiñán na esquerda, embora este último esteja envolvido em rumores de saída, o que poderia abrir espaço para o jovem Davide Bartesaghi. No meio-campo, o futuro de Luka Modrić ainda não está oficializado, mas o treinador português já expressou o desejo de manter o croata: “Queremos que o Modrić fique. Já falei com ele e, para mim, continua a ser um ponto de referência chave. Espero que volte após a pausa do Mundial.”

Amorim dispõe de várias opções para o meio-campo, com Adrien Rabiot, Ardon Jashari e Ruben Loftus-Cheek a oferecerem alternativas ofensivas, enquanto Yunus Musah e Youssouf Fofana se destacam como médios mais físicos e de cobertura. No ataque, Gonçalo Ramos, recém-contratado, será a referência ofensiva, com Santiago Giménez, Samuel Chukwueze e Rafael Leão a comporem as opções ofensivas, ainda que a possível saída de Leão possa enfraquecer o poder de fogo da equipa.

O desafio é grande, com algumas fragilidades a exigir atenção, nomeadamente a cobertura na baliza em caso de lesões de Maignan e a profundidade nas posições de lateral, especialmente se Estupiñán sair. O calendário exigente, com a Liga Europa, testará a capacidade de rotação do plantel.

Este reencontro entre Amorim e o AC Milan representa um recomeço ambicioso para ambos. O português tem a oportunidade de reencontrar o sucesso no futebol europeu, enquanto o clube italiano procura reerguer-se com um estilo fresco e dinâmico. A temporada que se avizinha será decisiva para medir a eficácia desta aliança e o impacto do treinador na reconstrução do gigante milanês.

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