Slot critica VAR após derrota do Liverpool com PSG

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A polémica está instalada no universo do futebol europeu e Arne Slot, treinador do Liverpool, não poupa críticas ao VAR, acusando o sistema de vídeo ter sido decisivo contra a sua equipa na eliminatória com o Paris Saint-Germain. Numa noite que podia ter mudado o rumo da eliminatória, o VAR anulou uma grande penalidade a favor dos Reds, deixando o técnico holandês furioso e a questionar a justiça das decisões que têm prejudicado o Liverpool ao longo da temporada.

No duelo do passado terça-feira, o Liverpool lutava contra um resultado desfavorável de 2-0 da primeira mão quando, aos 64 minutos, parecia ter conseguido um ponto de viragem: uma grande penalidade assinalada contra o PSG poderia ter relançado a eliminatória. Mas a intervenção do VAR, comandada por Marco di Bello, veio dizer ao árbitro Maurizio Mariani que tinha cometido um erro. O lance envolveu Alexis Mac Allister, que caiu na área após um contacto com o defesa do PSG, Willian Pacho. A dúvida reside na natureza desse contacto, que muitos consideram insuficiente para justificar a falta. A decisão inicial foi revertida e, pouco depois, Ousmane Dembélé marcou para o PSG, fechando o marcador em 2-0 e garantindo a passagem dos franceses com um agregado de 4-0.

Arne Slot não esconde a frustração: “Não estou surpreendido. Muitas decisões têm sido contra nós esta época. É simples: se o árbitro não assinala a grande penalidade, o VAR nunca a vai anular. Tenho visto tantas grandes penalidades suaves serem assinaladas, mas dizem que o VAR não pode intervir por haver contacto. É exatamente isso que vemos claramente.”

O treinador holandês aponta ainda para outras situações polémicas ao longo da temporada, onde a sua equipa sofreu penalizações semelhantes sem a intervenção do VAR. Um desses casos aconteceu em Brentford, onde Virgil van Dijk foi acusado de uma falta leve dentro da área que acabou por ser transformada em grande penalidade após revisão do vídeo. Outro lance recordado foi uma grande penalidade contra o Liverpool em Elland Road, embora aqui a intervenção do VAR tenha confirmado a decisão inicial do árbitro.

A questão que Slot levanta é pertinente: será o VAR aplicado de forma consistente? Ao longo da época, o Liverpool foi a equipa que mais sofreu com grandes penalidades assinaladas após revisão, com três lances contra si na Premier League – mais do que qualquer outro clube, empatado com o Brighton. Para além disso, o guarda-redes Giorgi Mamardashvili, do Brighton, foi punido pelo VAR num lance contra o Manchester City, evidenciando que o Liverpool tem sido alvo preferencial dessas decisões.

Por outro lado, o Liverpool recebeu apenas duas grandes penalidades esta época, nenhuma delas fruto de intervenção do VAR, e ambas contra o Burnley. Equipas como Aston Villa e Tottenham ainda não beneficiaram de nenhum penálti, o que levanta questões sobre a equidade na marcação destas decisões cruciais.

No que toca a reversões de decisões, o Liverpool já teve seis intervenções do VAR contra si, uma situação que só o Fulham supera com nove. Esta estatística reforça o sentimento de injustiça que Slot expressa publicamente.

Em suma, o técnico do Liverpool tem motivos para estar indignado. O VAR, idealizado para corrigir erros evidentes e garantir justiça, parece estar a punir mais o Liverpool do que outras equipas, alterando decisivamente resultados e, possivelmente, o destino de competições inteiras. Se o futebol pretende justiça, é urgente rever a forma como o VAR é aplicado, garantindo que o critério seja uniforme e transparente, evitando que clubes como o Liverpool sejam vítimas de interpretações controversas e inconsistentes. Com a pressão a aumentar, esta pode ser uma batalha que vai muito além do relvado.

Este artigo aparece primeiro em Apito Final.

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