Cameron Young domina o Cadillac Championship com uma vitória esmagadora e conquista o seu terceiro título no PGA Tour
No mundo implacável do golfe profissional, poucos jogadores conseguem impressionar com a consistência e a versatilidade que Cameron Young tem exibido na presente temporada. O jovem de 28 anos, formado na Wake Forest University, voltou a provar que está entre a elite do PGA Tour ao atropelar literalmente a concorrência no Cadillac Championship, disputado em Trump Doral National, Miami, conquistando a sua terceira vitória no circuito em apenas 14 torneios.
Sahith Theegala, colega de Tour e conhecedor profundo do talento de Young, não se cansa de elogiar as qualidades quase mágicas do norte-americano. “Ele consegue curvar a bola para ambos os lados, tem uma distância impressionante e, de repente, é um dos melhores putters do jogo,” confessou ao Golfweek. “Quando o vejo a praticar no Panther National, às vezes paro só para o observar, de tão bom que ele é.”
Estas palavras anteciparam o que viria a ser um domínio absoluto no Cadillac Championship, onde Young fechou a última volta com um sólido 4 abaixo do par (68), deixando a concorrência a seis tacadas de distância numa exibição de golfe de alto calibre. “Quando o campo é difícil e as condições são desafiantes, mentalmente sinto-me mais confortável,” revelou o jogador, que viu a sua evolução técnica e mental impulsionar o seu desempenho a níveis estratosféricos.
A transformação de Young é notória, especialmente no seu jogo curto. Na temporada anterior, a sua fraqueza nas tacadas para o green foi convertida numa força letal, e este ano o seu jogo de ferro melhorou drasticamente. Em 2025, Young estava fora do top 100 em estatísticas essenciais como Strokes Gained: Approach-the-Green e greens em regulation, mas em 2026 já se posiciona dentro dos 20 melhores nestes indicadores, incluindo um impressionante segundo lugar em proximidade ao buraco. A chave? Uma mudança decisiva na sua bola de jogo, adotando a Titleist Pro V1x protótipo (Double Dot), que lhe deu controlo de distância superior com os ferros e wedges.
A jornada rumo à vitória começou na primeira ronda, onde Young fez um impressionante 8 abaixo do par (64), sem cometer bogeys e com quase 30 metros de putts convertidos. “Senti que fiz um bilião de pés em putts, e isso ajuda em qualquer campo,” afirmou, destacando a sua precisão e calma em momentos cruciais. Durante toda a semana, esteve entre os melhores a ganhar tacadas com o putter, fazendo os putts que “se espera fazer” e alguns extra de 4 a 9 metros, que deram um conforto mental extra.
Apesar de partilhar o último grupo com o número um do mundo Scottie Scheffler, Young manteve a compostura, mesmo quando teve de impor uma penalização a si próprio por um movimento incerto da bola na segunda buraco, um gesto raro e que demonstra a sua integridade e foco. Sob chuva matinal que amoleceu o campo e com regras de lie preferenciais, Young estendeu a sua liderança para sete tacadas antes de entrar nas últimas buracos, provando uma paciência quase irritante, nas palavras do comentador Frank Nobilo.
A dimensão mental tem sido o último ingrediente para o sucesso de Young, que, apesar de exteriormente sereno, já admitiu ter lutado contra a sua própria mente em fases anteriores da carreira. “O próximo golpe é a próxima batalha, não o último,” explicou o seu coach mental, Dr. Bhrett McCabe, enfatizando a filosofia que tem ajudado Young a manter o foco e a confiança.
No domingo, com o ex-presidente Donald Trump presente no clube, Cameron Young teve um desempenho resiliente, superando pequenos deslizes com birdies estratégicos e assegurando a vitória com 19 abaixo do par no total (269 tacadas). Scottie Scheffler, apesar de terminar em segundo pela terceira vez consecutiva, reconheceu o domínio do adversário: “Ele fez um golfe fantástico toda a semana, estava a bater muitos bons tiros e a fazer putts de qualquer lugar. Era um adversário difícil de vencer.”
A rapidez com que Young acumulou triunfos é notável: precisou de 93 torneios para garantir a primeira vitória, 10 para a segunda e apenas 3 para a terceira, colocando-o numa trajetória ascendente e consolidando-o como um dos jogadores mais emocionantes e imprevisíveis do momento.
“Este não foi o seu ‘jogo A’, e essa é a parte assustadora,” comentou Nobilo, destacando o enorme potencial que Young ainda tem para explorar.
Cameron Young não é apenas um nome a seguir no golfe mundial — é uma força imparável que promete revolucionar o jogo e deixar uma marca indelével no PGA Tour.
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