Rory McIlroy mostrou-se inflexível e crítico em relação ao PGA Tour, deixando pistas sobre um descontentamento mais profundo do que aparenta. Antes mesmo do 154º Open, o golfista do Norte da Irlanda já tinha reduzido a sua agenda para passar mais tempo com a família e ser mais seletivo nos torneios. Após vencer o Masters, reiterou essa decisão, anunciando uma pausa para celebrar e estar com a filha, Poppy. Contudo, o analista Gary Williams, no programa 5 Clubs, levantou uma explicação surpreendente para a postura de McIlroy.
Williams referiu que as críticas de Rory ao PGA Tour, nomeadamente à nova estrutura que começará em 2028 — com uma série “Challenger” comparada a uma versão glorificada do Korn Ferry Tour — podem esconder frustrações mais profundas. “Quando és uma das caras do Tour, dizer que a Challenger Series é uma espécie de Korn Ferry glorificado é um pouco embaraçoso para quem gere o circuito”, comentou o analista. Esta crítica parece estar relacionada com a forma como McIlroy reagiu à entrada da LIV Golf, que tentou atrair jogadores para fora do PGA Tour.
Na altura, Rory McIlroy, que era o número dois do mundo, destacou-se como um dos maiores defensores do PGA Tour. Recusou propostas milionárias e manteve-se firme ao lado do circuito durante a divisão. Contudo, em junho de 2023, a inesperada notícia de um acordo entre o PGA Tour e o fundo saudita que financia a LIV Golf terá deixado McIlroy “despistado” e traído, na opinião de Williams. O analista acredita que esta memória amarga ainda pesa no modo como o golfista vê o PGA Tour atualmente.
“A verdade é que os atletas são teimosos por natureza. São teimosos em não desistir daquilo que sentem que lhes pertence, seja o melhor jogador da liga ou o melhor na sua posição. Essa teimosia está enraizada na memória, em tudo o que já viveram”, explicou Gary Williams. O afastamento de McIlroy do Conselho do PGA Tour em novembro de 2023, para evitar envolvimento na política do golf, reforça a ideia de que a sua insatisfação permanece, mesmo que não participe diretamente nas decisões do circuito.
Depois de terminar no 40º lugar no Open Championship, com um total de 9 abaixo do par (72-67-69-71), McIlroy mantém a sua carreira em pausa e, segundo Williams, pode já não ter a mesma vontade de lutar por tudo dentro do PGA Tour, tendo alcançado praticamente todos os seus objetivos. Contudo, só o próprio Rory poderá confirmar se esta análise corresponde à sua realidade.
O que é certo é que o PGA Tour parece ter deixado marcas no campeão norte-irlandês, cuja relação com o circuito continua a ser um dos temas mais comentados no mundo do golfe.
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