Matteo Berrettini protagonizou um dos momentos mais emocionantes do início de Wimbledon ao derrotar Stan Wawrinka num autêntico épico de quatro horas e vinte minutos, selando não só a sua passagem à próxima ronda como também aquele que poderá ficar para a história como o último jogo de Wawrinka na relva sagrada do All England Club. Os adeptos presentes no Court 1 foram brindados com um duelo de titãs, decidido apenas em sucessivos tie-breaks, e testemunharam a despedida de uma verdadeira lenda do ténis mundial.
O italiano, que vinha de dúvidas físicas após o abandono nos quartos-de-final de Roland Garros frente a Arnaldi, mostrou estar de regresso ao seu melhor nível físico e mental. O resultado final – 6-7(7), 7-6(16), 7-6(7), 7-6(5) – diz tudo sobre a dureza do encontro, no qual Berrettini salvou seis set points num tie-break absolutamente insano do segundo set, terminado 18-16, e anulou ainda outros dois no terceiro. No final, foi a resistência, frieza e paixão do romano que prevaleceram, garantindo-lhe uma batalha de sonho contra Arthur Fils na próxima ronda, depois de o francês também ter vencido com autoridade Raphael Collignon.

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O significado deste encontro vai muito para lá do resultado. Esta vitória devolve confiança a Berrettini, que já foi finalista de Wimbledon, e reabre a discussão sobre o seu real potencial para voltar aos grandes palcos, mesmo após problemas físicos recorrentes. Para Wawrinka, o jogo significou a despedida de Wimbledon, local onde tantas vezes brilhou, num adeus marcado pela entrega total e pelo respeito mútuo entre dois campeões de gerações diferentes. Para a competição, a eliminação de Wawrinka abre espaço para novas histórias, enquanto Berrettini se assume como um dos homens a seguir nesta edição.
No final do encontro, Berrettini não escondeu a emoção e fez questão de homenagear Wawrinka, não só com palavras, mas também com gestos: correu até ao suíço para lhe entregar a toalha utilizada naquele que poderá ter sido o último jogo de Stan na relva londrina. Em entrevista ainda em court, Berrettini confessou: “Quando vi que ia jogar no Court 1 fiquei ainda mais feliz. Estou grato por poder defrontar o Wawrinka. Ele é uma lenda e demonstrou-o também hoje. Lembro-me que o encontrei aqui em 2014, quando jogava como júnior. Da minha parte, estou feliz por ter aguentado tanto, por ter lutado e por me ter superado. Podemos treinar o que quisermos para estes jogos, mas quando se entra em campo é sempre tudo diferente. Adoro jogar ténis à melhor de cinco sets, adoro este torneio. Quero agradecer à minha equipa, que tem estado sempre ao meu lado desde Roland Garros, mas o torneio não está acabado e vamos continuar.”
Wawrinka, por sua vez, teve direito a despedida em palco, falando diretamente para os adeptos: “Não queria retirar-me, mas sei que chegou o momento de parar. Continuei a jogar para poder desfrutar destes momentos. Sempre sonhei jogar aqui e estou grato por o ter podido fazer uma última vez. Hoje foi uma grande batalha, contra um amigo e um excelente rapaz, que mereceu a vitória. Amo este jogo e não é fácil dizer adeus às coisas de que gostamos, quero agradecer a todos pelo apoio.”
Nas declarações posteriores, ainda visivelmente emocionado e citado pela Eurosport, Berrettini reforçou o significado do duelo: “Estas partidas e estes momentos são o motivo pelo qual continuo a jogar ténis. Era o que me repetia, com a mesma atitude que tive em Paris. Dizia-me que merecia estar ali, naquela grande batalha, e tentava manter-me positivo porque queria mesmo estar presente. Trabalhei duro para me encontrar no Court 1 contra uma lenda do nosso desporto, e era isso que me repetia mesmo quando não estava a jogar o meu melhor ténis. Só queria lutar. Queria desfrutar dessa luta e isso deixa-me feliz. Deixa-me feliz.”
O italiano recordou ainda a experiência de ter assistido, enquanto jovem, a um duelo entre Federer e Wawrinka: “Foi incrível sentir o público também por ele. Normalmente queremos o apoio para nós, mas ouvir aquele aplauso por ele durante o jogo foi mesmo especial. Quando vim aqui em 2014, fui ver Federer contra Stan nos quartos-de-final, se não me engano. Lembro-me do slice exterior do Roger à direita – incrível, sabias que ia acontecer, mas era impossível responder. Agora, estou eu aqui a jogar contra ele, com todo o respeito, e ele diz-me: 'Estou contente por ter jogado contra ti', com lágrimas nos olhos. Talvez só consiga perceber verdadeiramente o que aconteceu quando esta noite não conseguir dormir. Mas estou mesmo orgulhoso e feliz pelo que está a acontecer.”
Quanto ao próximo desafio diante de Arthur Fils, Berrettini mostrou-se entusiasmado e cauteloso: “Sim, vi apenas o resultado, obviamente porque estava em campo. Sabemos que o Arthur é um jogador fortíssimo e que, apesar das lesões, consegue sempre voltar em grande forma. Joguei com ele apenas uma vez e retirei-me, por isso espero que não aconteça o mesmo. Vai ser um jogo muito duro. Mas estou contente por jogar com ele: é um grande jogador, está a jogar muito bem, quando joga ganha. Treino para estes jogos, por isso estou motivado.”
Berrettini avança assim para uma segunda ronda de Wimbledon carregado de moral, pronto para mostrar que não está em Londres apenas para revisitar memórias, mas para escrever novas páginas de glória no seu percurso. O adeus de Wawrinka deixa saudade e respeito, mas o ténis nunca pára – e Berrettini quer provar que ainda tem muito para dar na relva que tantas emoções lhe trouxe.
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