O escândalo que envolve a estrela checa do ténis, Marketa Vondrousova, continua a incendiar o mundo do desporto, com declarações explosivas a emergir de uma das maiores vozes da modalidade, Andy Roddick. O antigo número um mundial e campeão do US Open em 2003 não poupa nas críticas ao caso de doping que ameaça a carreira da campeã de Wimbledon 2023, colocando o foco numa questão técnica que pode virar o julgamento do avesso.
Marketa Vondrousova está a enfrentar uma possível suspensão de até quatro anos, após ter sido acusada pela International Tennis Integrity Agency (ITIA) de se recusar a realizar um teste antidoping na sua residência em Praga, em dezembro de 2025. A tenista, uma das figuras mais promissoras do ténis checo, alega que estava num ponto de ruptura mental e físico após meses de stress intenso. Segundo ela, recusou a entrada a um inspetor antidoping que apareceu na sua casa depois das 20 horas, argumentando que o oficial não se identificou corretamente. Do outro lado, o inspetor garante que seguiu todos os protocolos, deixando uma disputa factual que promete ser o centro da investigação.
O ponto nevrálgico do caso reside nas regras rígidas dos controlos antidoping, que obrigam os jogadores a disponibilizar diariamente uma janela de uma hora para serem testados. A não conformidade — seja por ausência ou recusa — pode ser penalizada com a mesma severidade de um teste positivo, o que agrava ainda mais o escrutínio público e jurídico, sobretudo porque a distinção entre testes falhados e infrações confirmadas é crucial.
No seu podcast “Served”, Andy Roddick desmontou toda a narrativa emocional e focou-se na clareza processual. Para ele, tudo se resume a uma única questão: o teste foi solicitado dentro da janela de tempo que Vondrousova tinha previamente declarado? “Se não for dentro da hora que ela indicou, então eles estão errados. Se for fora daquela janela das oito às nove, ou a hora que ela deu, tudo o que ela diz faz sentido,” afirmou o antigo campeão. “Mas se for dentro desse período, a minha opinião muda completamente. É assim tão simples.”
Roddick explicou detalhadamente o funcionamento do sistema de “whereabouts”, baseado na sua experiência como jogador de topo. Os atletas devem indicar um período fixo de uma hora por dia para estarem disponíveis para testes, muitas vezes ajustando esse intervalo para horários previsíveis, mesmo durante viagens e torneios. Ele próprio usava o período das cinco às seis da manhã, pois sabia que estaria no hotel, com endereço e número de quarto inseridos no sistema.
Quanto ao argumento de Vondrousova, que invoca stress psicológico e ansiedade — agravados pelo histórico traumático do ataque a Petra Kvitová em 2016 — Roddick reconhece a dimensão humana, mas não abdica da rigidez das regras: “Eu entendo o stress, os momentos de ruptura, e simpatizo com isso. Mas só porque estou stressado não posso fazer as minhas próprias regras. Isso não é uma desculpa para faltar a um teste dentro do horário combinado.”
Ainda mais contundente, o ex-tenista sublinha que a responsabilidade é mútua: as autoridades antidoping também não podem desrespeitar os protocolos. “Se és a agência que tem o horário para testar o jogador, não podes fazer as tuas próprias regras. É uma via de mão dupla. Se for fora do protocolo, eles não têm nada. Se for dentro, ela não tem nada,” conclui.
Este embate entre a atleta e a ITIA promete abalar o mundo do ténis, colocando em evidência não só as complexidades do combate ao doping, mas também as tensões entre a saúde mental dos atletas e a rigidez das regulamentações antidoping. Enquanto a investigação avança, a carreira de Marketa Vondrousova está em jogo, com um possível castigo que pode alterar para sempre o seu percurso desportivo. A verdade sobre a hora do teste pode ser o fator decisivo que fará toda a diferença neste caso que já está em foco internacional.
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