Marta Kostyuk não é apenas uma das estrelas emergentes do ténis mundial; a sua história é um retrato impressionante de dedicação familiar e resiliência, onde os laços entre mãe, pai e filha foram decisivos para a sua meteórica ascensão. A jovem tenista ucraniana, que está a atravessar o melhor momento da sua carreira, deve grande parte do seu sucesso ao apoio incondicional dos pais, especialmente à mãe Talina Beiko, que é também a sua treinadora.
Desde os cinco anos que Marta começou a praticar ténis, não por mera paixão inicial pelo desporto, mas porque queria estar mais perto da mãe, uma antiga jogadora profissional. Talina Beiko, que no pico da sua carreira alcançou o 391.º lugar do ranking WTA e conquistou dois títulos ITF em 1994, foi a primeira a reconhecer o talento da filha e a orientá-la no duro caminho do ténis de alta competição. “A minha mãe estava sempre a trabalhar como treinadora, e quando comecei a treinar percebi que, se jogasse ténis, passaria mais tempo com ela. Essa foi a minha motivação,” revelou Marta em entrevistas anteriores, sublinhando a forte ligação emocional entre as duas.
O pai, Oleg Kostyuk, também teve um papel crucial desde cedo, não tanto no treino, mas na gestão e apoio logístico. Com uma carreira ligada à organização do torneio juvenil Antey Cup em Kyiv, ele facilitou o acesso das filhas ao clube de ténis Antey, onde Marta deu os primeiros passos. A família é composta ainda por duas irmãs mais velhas, Mariya e Zoryana, sendo que Mariya teve uma passagem pelo ténis universitário nos Estados Unidos.
Hoje, com 23 anos, Marta Kostyuk vive um momento de glória na sua carreira. A tenista ucraniana conquistou recentemente dois títulos consecutivos, incluindo o seu primeiro troféu WTA 1000 no Madrid Open, um feito que a catapultou para o top 15 do ranking mundial. Na atual edição do Roland Garros, Marta alcançou os quartos-de-final, mostrando-se imparável no saibro com uma série impressionante de 16 vitórias consecutivas.
A sua dupla com a mãe Talina no comando técnico tem sido uma fórmula vencedora. Talina continua a treiná-la, apoiada pela técnica Sandra Zaniewska, e é visível o impacto positivo desta relação próxima no desempenho da atleta. Contudo, a vida da família não está isenta de dificuldades. Apesar de Marta residir em Monte Carlo, os pais continuam na Ucrânia, onde enfrentam a ameaça constante da guerra. Recentemente, um míssil destruiu um edifício a apenas 100 metros da sua casa, um episódio que marcou profundamente Marta, que durante uma entrevista após um jogo emocionou-se, afirmando: “Passei parte da manhã a chorar. Não quero falar de mim hoje. Estou feliz por estar na segunda ronda, mas todos os meus pensamentos e o meu coração estão com o povo da Ucrânia.”
Marta Kostyuk é mais do que uma promessa cumprida do ténis; é o exemplo vivo de uma jovem que, apoiada por uma família unida e resiliente, está a conquistar o seu espaço entre as maiores estrelas do ténis mundial. O percurso de Marta, moldado pela experiência e amor dos pais, especialmente da mãe que é também a sua treinadora, é uma história de superação que inspira não só adeptos do ténis, mas todos aqueles que acreditam na força da família e da determinação. O futuro parece brilhante para esta estrela ucraniana que luta dentro e fora das quadras.
