Zizou Bergs está a dar cartas em Monte-Carlo e não está para brincadeiras! O jovem tenista belga protagonizou uma das maiores surpresas da prova ao despachar Andrey Rublev, uma das estrelas do circuito, com um impressionante 6-4, 6-1, garantindo assim um lugar na terceira ronda do Masters 1000 do Principado. Num embate onde a luta física foi tão intensa quanto o calor do asfalto monegasco, Bergs mostrou uma resiliência e uma precisão que poucos esperavam.
Desde o início do encontro, Rublev tentou impor o seu jogo, mas Bergs não se deixou intimidar. Com um empate a 2-2, o belga entrou numa série avassaladora, perdendo apenas dois jogos até ao final. Apesar de ter defendido três pontos de break no segundo set, foi ele quem virou o jogo decisivamente a seu favor, quebrando o serviço do russo a zero para abrir uma vantagem 5-1, que não mais largou.
“Estou a sentir-me muito bem. Foi um jogo brutal, e estou muito feliz por voltar a apresentar este nível,” confessou Bergs após o triunfo, numa entrevista à Tennis Channel. “Desde janeiro que não conseguia uma vitória assim, tivemos alguns problemas de saúde e lesões pelo meio, mas a equipa e eu temos trabalhado imenso para chegar aqui.” Claramente, este é um momento de viragem na carreira do belga, que não escondia a satisfação pelo trabalho árduo finalmente estar a dar frutos.
Rublev teve várias oportunidades para virar o jogo, com oito break points ao longo do duelo, mas Bergs esteve impecável a fechar a porta ao adversário. “Colocar o primeiro serviço faz uma enorme diferença,” explicou. “Mesmo quando enfrentamos momentos difíceis, tentei manter o meu jogo e fazer o que tinha de ser feito nos momentos certos.” O ex-campeão de Monte-Carlo não conseguiu repetir os feitos do passado, dominado pela tenacidade e frescura física do belga.
O ténis em terra batida é conhecido pela sua exigência física brutal. Bergs reconheceu essa dificuldade, lembrando as palavras de Rafael Nadal sobre a importância de “amar o sofrimento” para triunfar neste piso. “Foi exatamente isso que senti no segundo set. Os rálios foram longos, o adversário faz-te andar, e depois é uma batalha mental para manter o foco,” explicou.
A história de Bergs em Monte-Carlo não ficou por aqui. O belga, de 26 anos, surpreendeu ao formar dupla com ninguém menos que Jannik Sinner, o número dois mundial. “Estávamos a treinar em Indian Wells e ele perguntou-me se queria jogar duplas em Monte-Carlo. Claro que disse que ia pensar,” revelou Bergs. A parceria gelou adversários e conquistou a primeira ronda frente a Casper Ruud e Tomas Machac, dois jovens talentos ATP.
Mas foi o gesto após a vitória a tornar-se viral: a handshake entre Bergs e Sinner incendiou as redes sociais. “É muito belga! Depois do jogo, gosto de me divertir,” confessou Bergs com um sorriso. “Ele deu-me um aperto de mão normal, e eu disse ‘não, não pode ser só a mão!’ Perguntei se conhecia o aperto de mão do Romelu Lukaku com o Kevin De Bruyne. Ele disse que talvez, e mostrei-lhe. Fizemos isso juntos, e tenho a certeza que adoraram na Bélgica.”
Apesar do êxito, a aventura dupla termina aqui para ambos, já que estão focados na terceira ronda individual. Para Bergs, o desafio maior está quase a chegar: medir forças com o número três mundial, Alexander Zverev, numa batalha que poderá catapultá-lo para os quartos de final de um Masters 1000 pela segunda vez na carreira. Se o belga repetir o nível exibido até aqui, poderá estar prestes a viver um dos momentos mais marcantes da sua carreira. Fique atento, porque Zizou Bergs está a fazer barulho e não dá sinais de abrandar!
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