O campeão nacional voltou a mostrar força, mas deixou claro que o título não apaga todas as imperfeições. Setenta dias depois do último jogo oficial no Dragão, frente ao Santa Clara, o FC Porto apresentou-se aos seus adeptos com uma vitória por 2-1 sobre o Aston Villa, num encontro de preparação que serviu como derradeiro teste antes da Supertaça Cândido de Oliveira contra o Torreense, marcada para o próximo sábado.
O jogo de apresentação, que reuniu 47.098 espectadores nas bancadas do Estádio do Dragão, não trouxe surpresas no que toca a reforços ou mudanças táticas. Contrariando a tradição iniciada por Pinto da Costa e retomada por André Villas-Boas em 2025 com a contratação secreta de Luuk de Jong, não houve novidades no plantel nem no estilo de jogo apresentado por Francesco Farioli. A equipa manteve a sua identidade, com uma pressão intensa e eficaz, mas as pernas ainda denotaram alguma falta de ritmo, especialmente na primeira parte, permitindo que o Aston Villa conseguisse penetrar em algumas ocasiões.
O regresso do instinto matador nas bolas paradas foi evidente, refletindo momentos positivos da época passada. O primeiro golo surgiu já aos cinco minutos, após um lançamento longo de linha lateral de Zaidu, que Matty Cash tentou cortar, mas a bola sobrou para William Gomes, que dominou de coxa e rematou certeiro. Este golo cedo apontado à equipa de Unai Emery, desfalcada de várias figuras importantes como Emiliano Martínez e Pau Torres, deu confiança aos dragões. Contudo, erros defensivos, como o cometido por Zaidu, permitiram a Lynch igualar aos 12 minutos.
Farioli apostou numa defesa com Bednarek e Kiwior no centro, embora este último tenha acumulado algumas imprecisões invulgares na primeira parte. No meio-campo, repetiu o trio Alan Varela, Froholdt e Gabri Veiga, enquanto a frente de ataque contou com André Silva, o único reforço do plantel, acompanhado por William Gomes e Pepê, que substituiu Borja Sainz no onze inicial devido à lesão de Oskar Pietuszewski. A construção ofensiva manteve um ritmo pausado, procurando sempre o médio-defensivo como ponto de partida, mas a criatividade foi escassa, limitando as ocasiões de perigo.
O segundo golo portista chegou também através de uma estratégia habitual: um livre lateral cobrado por Gabri Veiga originou um corte incompleto de Maatsen e Pepê não desperdiçou, fazendo o 2-1 ainda antes do intervalo. O treinador italiano terminou o jogo com a sensação de que o plantel precisa de reforços em posições-chave. “Presidente, preciso de um lateral-esquerdo, um extremo desequilibrador seria bem recebido e outro avançado também”, afirmou Farioli, deixando claro que vai procurar manter a solidez defensiva e aumentar a variabilidade ofensiva para tornar a equipa menos previsível.
Este teste com o Aston Villa deixou claro que, apesar do título, o FC Porto ainda tem margem para melhorar. A preparação para a Supertaça será determinante para perceber se as necessidades apontadas pelo treinador serão colmatadas a tempo e se a equipa conseguirá manter a consistência exibida na última época, mas com um futebol mais dinâmico e eficaz.
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