Após a amarga eliminação do Benfica na Taça da Liga, a pressão sobre o plantel encarnado aumentou exponencialmente. O treinador José Mourinho não está disposto a dar descanso à equipa, que, após a derrota contra o Braga, viu-se obrigada a intensificar os treinos, mantendo a atividade até à crucial visita ao Estádio do Dragão na próxima quarta-feira. Esta é uma decisão que reflete não apenas a busca pela recuperação moral, mas também a preparação estratégica para enfrentar o FC Porto nas meias-finais da competição.
Mourinho e o presidente Rui Costa foram claros ao afirmar que a continuidade dos treinos não se trata de um castigo, mas sim de um aproveitamento do tempo. No entanto, a realidade é inegável: a equipa deixou Leiria diretamente para Seixal, onde iniciou um regime de trabalho sem qualquer folga à vista. A derrota na Taça da Liga, que impediu o Benfica de defender o título conquistado na época passada, tornou a necessidade de uma preparação intensa ainda mais urgente.
“Esta será a maior semana de trabalho desde que cheguei ao clube. Estou determinado a intensificar a assimilação das minhas ideias pelos jogadores”, declarou Mourinho, evidenciando a sua intenção de maximizar este período sem compromissos adicionais. Desde a sua chegada ao Benfica, esta é a primeira vez que o técnico dispõe de uma semana mais “limpa”, longe das interrupções causadas por compromissos internacionais e lesões que afetaram a disponibilidade do plantel.
O desafio que se avizinha não é fácil. Com algumas lesões e o castigo de Otamendi a complicar ainda mais a situação, Mourinho terá que encontrar soluções criativas para montar uma equipa competitiva. O treinador está consciente de que a moral dos jogadores foi abalada pela recente eliminação, e reerguer a confiança do grupo será tão crucial quanto preparar a estratégia para o embate decisivo contra o Porto. O último jogo entre as duas equipas terminou em um empate sem golos, e agora, em uma partida de eliminação direta, cada movimento e cada decisão terão um peso significativo.
Além disso, o Benfica enfrenta um dilema estrutural, uma vez que a formação de Vítor Vinha, que inicia a fase de campeão da Liga Revelação, também se encontra sob pressão. A necessidade de recorrer a jogadores da formação para suprir as ausências no plantel principal tem um efeito dominó que afeta não só os bês, mas também os sub-23. Mourinho reconhece que essa interdependência pode sobrecarregar a equipa sub-23, que serve como um elo vital entre os juniores e a equipa A.
Se o Benfica não conseguir garantir um lugar na próxima edição da Liga dos Campeões, a pressão sobre os juniores será ainda maior, pois eles precisarão conquistar o título nacional para garantir a presença na UEFA Youth League. Este ciclo de exigências e expectativas coloca o clube numa posição delicada, onde cada jogador e cada decisão contam. Com um calendário apertado pela frente e desafios cruciais a serem enfrentados, a capacidade de Mourinho em motivar e preparar o seu plantel será testada como nunca. A próxima semana promete ser um verdadeiro teste de fogo para o Benfica e para o seu icónico treinador.
